sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Claustro
Eu sucumbo fácil... Triste constatação. Num mundo que preza pelo sucesso de forma obrigatória, eu sou um gauche no mundo. Vivo à margem. Compactuo com a insanidade e a vejo rondar meu corpo em busca de uma mísera brecha... Assim passam os meus dias. Estranhos, modorrentos, mofados. Tenho medo. Então me mecho o menos possível pra não gerar o estopim que pode me levar ao abismo.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Dos porquês
Possuo TAG - transtorno de ansiedade generalizada. Que me faz catar cavaco de vez em quando. Mas o pior mesmo é a necessidade de aprovação alheia. Que graças a Deus está morrendo. Porque, ou eu vivo, ou sobrevivo os outros em mim. Pelo menos quero que a opinião que não me acrescenta em nada se foda. Grande avanço.
Por isso, mesmo não indo trabalhar hoje sai da cama mais cedo. E estou escrevendo este texto. E daqui a pouco vou descer pra cumprir minha cota de exercícios do dia. Feliz manhã. Os pensamentos suicidas passaram. O impulso nunca cumprido de auto-mutilação também. Estou bem melhor. Cuidar de mim é necessário nesses dias áridos.
São esses os porquês de não escrever direito. De não ter um único texto decente nos últimos meses. De ver bem distante de mim e no tempo as palavras que se unem para formar boas ideias. Já escrevi super bem. Ultimamente escrevo. Quando muito. Sobrevivo quando posso.
Espero achar ainda canal pra minha mente. Reencontrar-me... E mandar todos os outros que me cercam e que roubam o meu foco para o quinto dos infernos.
Lembranças de um gosto amargo na boca...
"eu sempre tentei negar minha parte ruim, pra mim mesma...
·
uhum....
a gente sempre tenta
aí vem a vida e dá uma cacetada na gente!"
sábado, 26 de outubro de 2013
Papéis bem avulsos
O dia de ontem:
Manhã-
Ainda guardo o seu perfume sob os anéis dos meus cabelos... O dia amanhece preguiçoso com seu sabor ainda em minha pele... Você parece que adivinha o que eu quero, você é mágico, sabia? Teus cabelos negros que caem sobre tuas costas, pescoço e lençol da cama... Negros que combinam com as marcas difusas do teu peito, das tuas coxas, do teu olhar...
Tarde-
Você tem os olhos azuis da cor do céu... E leveza de menino... Teu sabor é doce e dá mais vontade de ter mais... Você pede e eu acabo obedecendo... Tua simplicidade é suavemente transparente. Tua inocência vibra em teu sorriso bobo e teu olhar ligeiramente ácido. Cabelo fino que gosto de bagunçar. Pele cor de louça. Mãos com jeito de força.
Noite-
Somos dois perdidos e perdidos numa noite suja em busca de um pouco de acesso. Rasgando os últimos sorrisos atrás de aceitação alheia, de aceitação de nós próprios... Se ao menos nos juntássemos em dois sóis... Mas somos duas luas buscando o apego de outrem... Dentro da noite que passa devagar como o peso do chumbo arrastado. Estamos os dois um ao lado do outro. Porém estamos sós. Nós.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Saco vazio pára em pé
*Texto de 12/08/2013
Sou um saco vazio. Cheio de aranhões, escaras, hematomas e cheio de poeira. Porém vazio. Livre do câncer que me tomava. Porque saco vazio pára em pé. Porque só resta o que me faz caminhar. Porque o vazio do saco de estopa pertence a mim. Porque precisa esvaziar-se para em vez de encher de fel deixar o mel escorrer na boca alheia. Porque ora, porque sim. Porque o vazio não é de coisa. Coira ruim era o que o enchia. Porque o vazio agora é o de possibilidades. É de florescer, esse vazio. Porque enfim cansei de me justificar.
Sou um saco vazio. Cheio de aranhões, escaras, hematomas e cheio de poeira. Porém vazio. Livre do câncer que me tomava. Porque saco vazio pára em pé. Porque só resta o que me faz caminhar. Porque o vazio do saco de estopa pertence a mim. Porque precisa esvaziar-se para em vez de encher de fel deixar o mel escorrer na boca alheia. Porque ora, porque sim. Porque o vazio não é de coisa. Coira ruim era o que o enchia. Porque o vazio agora é o de possibilidades. É de florescer, esse vazio. Porque enfim cansei de me justificar.
Saco vazio pára em pé. Algo que estava nele foi o que me fez adormecer. Algo nele me fez penar. Sinto falta da vida que levava. Sinto falta do saco preenchido com algo mais. Algo doce pra me empanturrar. No fundo mesmo, o saco estava cheio de vazio.
E esse vazio pesava. Pesava como se cheio fosse. E pesava mal, de modo ruim, mole e preguiçoso como chumbo. E desse cheio-vazio, só me restou o pó. Nada restou. Porque o saco cheio estava cheio de vazio. E ainda um vazio de fel e com gosto de café!
E hoje, o que dizer? Hoje o saco vazio está vazio, porém o cheio não é mais o vazio que me fazia parte. Hoje o saco vazio está de pé. Porque o vazio está cheio, só que de fé.
Ele
...
Ele é alto e tem as costas largas. O cabelo fino, as mãos grandes, o
olhar afiado. Sim, os olhos astutos e oblíquos como os de uma raposa. E se foi
assim feito fumaça... E voltou com asas chamuscadas. Porém com o mesmo ar de
sempre. Ele que começou tudo agora inicia esse texto... Ele que talvez se
reconheça em tom desconfiado de quem se esquiva do perigo alheio. Ele que podia
ter olhos mais doces se estes enxergassem um pouco mais... Ele que sorri pela
metade e desconcertado. Ele que é um profundo desconcerto para a vista. Ele que
me olha e não sei mais o que ele me vê. Afinal não sei pra onde ele olha...
...Ele tem os olhos doces de um castanho bonito... A pele alva e os
cabelos tão negros quanto as trevas... O olhar tímido, assustado e incerto, ao
mesmo tempo tão educado e tão selvagem de se olhar... Fingindo uma segurança
cega. Os atos delicados, o jeito de quem pede colo, o corpo largo, a segurança
nos gestos curtos. Pequenino. E forte em seu aconchego , acolhedor em seus braços
e sussurros instigantes. A doçura dos sentidos e a aspereza do metal, timidez e
palavras cortantes. Um vulcão escondido em um corpo de ferro...
...Ele é um caboclo capixaba. De pele quase negra, de olhos quase mel.
Sorriso lindo como estrelas, um céu muito azul é sua moldura. Sua inocência
misturada com malícia encantadora. Foi fulminante. Mãos que buscam, mãos que
descobrem... Mãos que nunca sentiram... O seu cheiro é doce... O momento
inicial tão belo, o balanço pendurado na árvore, o verde infinito e o Sol
forte, e seus olhos quase mel contrastando com seus lábios trêmulos... Pureza
no olhar, maldade nos olhos... Meu menino lindo... O final vazio com a baia
coberta de sol e o nosso abraço e minha cruz em sua testa... Fique com Deus e
seus bons pensamentos...
...Ele é um calango do cerrado. Do quente seco, lá onde ele veio. Ele
tem olhar curioso de criança pega de surpresa. Pequenino e forte. Forte e
franzino. Seu jeito puro me encanta. Seu suor prestativo me atrai. Sua
generosidade é grande, imensa. Quase sem sentido. Seu jeito tem cheiro de mato
e tabaco. Cheiro de tranqüilidade... De descansar sereno na sombra... Talvez
quem sabe? Seu hesitar me chama a atenção. E sei que eu o chamo a atenção também.
Eu o atraio com meu ar doce e minha vontade de ouvir... O que será...
...Ele é o malando JB! Sua voz grave me lembra gafieira e samba. Seu
jeito suburbano de quem no fundo não se importa tanto, seu discurso e suas
palavras infinitas, sua malemolência em ser, seu tsc tsc tsc tsc... Que tudo é
quebrado por seu sorriso bobo de criança alegre. Seu abraço, contatos e olhar
sacana de leve, bem de leve... Sua “levada na maciota”. Sua dança ajuntada corpo
com corpo. Seu jeitão sutil de “você quem sabe”. Sua sensibilidade traduzida em
versos, em beijos, em seu refinamento ainda bruto...
Ele...
Ele é negro e grandioso. Tem um olhar malicioso, porém de voz tão suave
de quem sabe o que quer. Suas tiradas sacanas, sua sensibilidade pueril, sua
esperança melancólica, suas ainda inseguranças juvenis... Ele está lendo meu
texto e agora sorri porque se reconhece nele... Sua delicadeza em me dizer
verdades, sua delicadeza em pontuar palavras, seu corpo quente em me instigar,
sua brisa leve a me levar pra longe... Uma esfinge que só observa meus passos, assim calmo, assim cauteloso... Ele...
terça-feira, 16 de julho de 2013
Garoa...
O vento é frio e agradável... Desço do ônibus e algo em mim diz pra caminhar devagar, sem pressa... Vou diminuindo o passo e aos poucos prestando mais atenção às coisas... As mãos nos bolsos, uma tristeza que aos poucos vai ficando mansa, sendo aceita por mim... Uma tristeza mansa, morna, suave...
Uma calma me sobe... Estranha pois hoje mesmo estava às raias do destemperamento... Um jeito brando e suave, das coisas que caminham devagar... Aos poucos penso, vem vindo uma serenidade grande, meus sentidos vão voltando ao natural... Começo a lembrar de canções, de um violão, um violão sendo dedilhado, uma janela ao fim da tarde imersa em uma garoa fina, e assim os ladrilhos do chão passam com calma, os passos passam, um homem passa...
Um homem passa e escaneio seus olhos, olhos bonitos...Um homem de sobretudo passa e vejo em seu rosto a face de anos já passados, já meio grisalhos em sua barba e bigode... Um homem de olhos belos... Ele passa e me avista, e me resgata suavemente do meu passo... E sigo, e passo... Ele entra em sua rua, e segue seu olhar... Eu sigo olhando pra ele... O passo devagar, ainda manso, mas com um sorriso leve de sossego...
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Fantasmas
Possuo uma doença incurável e cheia de esteriótipos, que descobri há pouco...
Tive três baques afetivos em 6 meses, dois deles com a mesma pessoa...
Um deles que me passou a doença...
Tenho trabalho atrasado, faltas excessivas...
Tenho estudos atrasados, mestrado parado...
Um apartamento novo postergando a moradia...
Atividades físicas paradas e o começo de um aumento de peso...
Desânimo, dias desperdiçados, tristeza, revolta...
Dinheiro não controlado, risco de gastos acima da capacidade...
Amigos deixados, aparência deixada...
Religião deixada...
Vazio, falta de esperança no futuro...
Uma vida despedaçada...
Penumbra.
Tive três baques afetivos em 6 meses, dois deles com a mesma pessoa...
Um deles que me passou a doença...
Tenho trabalho atrasado, faltas excessivas...
Tenho estudos atrasados, mestrado parado...
Um apartamento novo postergando a moradia...
Atividades físicas paradas e o começo de um aumento de peso...
Desânimo, dias desperdiçados, tristeza, revolta...
Dinheiro não controlado, risco de gastos acima da capacidade...
Amigos deixados, aparência deixada...
Religião deixada...
Vazio, falta de esperança no futuro...
Uma vida despedaçada...
Penumbra.
Sou uma ferida aberta e às vezes minha única vontade é a de ferir. O outro. Eu mesma. Sou a sombra do que fui, sou a dor gritando de todos os meus poros... Queria poder atingir a sua alma de forma irreversível. Arrasto-me na borda do abismo. Cato com calma os últimos poucos pedaços saudáveis de mim. Meus braços estão cansados. Minhas pernas não andam mais. Cortejo a insanidade. Ela já me espreita com olhos curiosos e cheios de malícia. Estou no ponto. Quase o caos.
domingo, 30 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Ego
Ele fazia da vida o seu palco; por isso o medo não transpassava seu olhar. Com o corpo talhado pelo seu trabalho e por horas extenuantes de treino, ele voava como se fosse leve o bastante; estarrecia as multidões com seus movimentos precisos e cheios de beleza. Era o acrobata. Corpo e mente juntos para um mesmo objetivo. Matéria e sublimação da matéria. Terra e ar, pó e vento. Força e leveza - inimagináveis juntas -trabalhando em direção a um único ser. A um movimento único, perfeito, expresso. Declarado.
Braços, pernas, movimento: força, suspiro, decisão, corrida e salto. Equilíbrio. Resistência, beleza, satisfação, palmas, gritos: sublime! Calma, volta, relaxamento e então de novo braços, pernas, movimento: um sem fim de realidades. E o corpo se multiplica em mil, em muitos, em infinito, a cada gesto, a cada deslocamento do corpo: Corpo arauto da alma, arauto da vontade.
E a mente se segura, áspera, branda, forte, delicada: vai seguindo a matéria. E o corpo se submete aos caprichos da mente, e da alma. E os traduzem no movimento, na ação.
É no desabrochar da energia do deslocamento que vemos, estupefatos e felizes, é que vemos a existência transmutada em ego, em pó, em vida.
E então aplaudimos.
domingo, 23 de junho de 2013
Chaos
Do caos Deus pôs o amor no mundo. Do caos Ele construiu tudo. Do caos o amor nasceu de todas as coisas. E tudo foi criado.
E é do caos que eu vou surgir.
Pra pôr tudo na ordem do que é correto.
Para levantar minhas bases no caos.
Do nada Deus fez tudo.
Do caos Ele também me fará.
http://lounge.obviousmag.org/olhar_sociocultural/infinito.jpg
Futuro
Você sempre me falou de estabelecer a própria base... Só agora consigo entender...
O seu amor passou como um rio enorme, a limpar diversas coisas na minha vida... Contigo cresci, fui até a linha de frente e aprendi a enxergar. Agora o que o futuro me reserva é uma busca pelas minhas próprias bases e estruturas. Para que nada mais me abale, eu preciso fincar meus pés. Ainda me lembro da menina que eu era quando encontrei os seus braços. Mas o amanhã me exige a mulher que você forjou.
Preciso das minhas próprias pernas para andar. Pra decidir meus caminhos. Conto com a verdade dos olhos de todos que puderem me ajudar. Conto com o amor que surge em mim e que reverbera pelo espaço. Conto com o meu próprio cuidado. Porém, nunca me esquecerei dos seus olhos doces e do seu brilho verdadeiro. Nunca me esquecerei de nós. Obrigada. E siga em paz. Eu tenho uma guerra pela frente. Em busca do meu próprio sossego.
O seu amor passou como um rio enorme, a limpar diversas coisas na minha vida... Contigo cresci, fui até a linha de frente e aprendi a enxergar. Agora o que o futuro me reserva é uma busca pelas minhas próprias bases e estruturas. Para que nada mais me abale, eu preciso fincar meus pés. Ainda me lembro da menina que eu era quando encontrei os seus braços. Mas o amanhã me exige a mulher que você forjou.
Preciso das minhas próprias pernas para andar. Pra decidir meus caminhos. Conto com a verdade dos olhos de todos que puderem me ajudar. Conto com o amor que surge em mim e que reverbera pelo espaço. Conto com o meu próprio cuidado. Porém, nunca me esquecerei dos seus olhos doces e do seu brilho verdadeiro. Nunca me esquecerei de nós. Obrigada. E siga em paz. Eu tenho uma guerra pela frente. Em busca do meu próprio sossego.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Aluguel
Se algum dia eu me arrepender dos meus grandes passos, então me enterre porque nesse dia estarei morta.
Não foi nada mal pensado nem impulsivo. É a hora... De abandonar o vitimismo das situações sem volta e buscar a verdade da própria força já há tempo represada por meus ais... Mas sim: é verdade que te culpo. Porque você me deu coragem de viver algo tão intenso que libertou minha força de mim mesma. Agora sinto a coragem de qualquer coisa porque as amarras em que eu mesma me enfiei caíram de passadas. Não é fácil ser eu... Mas é mais difícil ainda quando esse eu é permeado de máscaras velhas, que não servem pra me definir... Você me deu coragem de ser. Sem nada além que meu rosto no espelho, olhando o brilho nos olhos que já estava há tanto tempo murcho, escondido por normas de conduta que não faziam parte de mim.
E guardo e vou usar a tua força pra vencer mais essa, e vou usar o teu brilho nos olhos e o melhor de nós dois pra aprender a viver da melhor forma. Vou lembrar-me dos nossos dias, semanas; elas serão meu exemplo de felicidade e intensidade do que é respirar livremente. Vou lembrar de como eu era contigo: essa era eu. E vou cuidar de mim. Como você cuidava com as suas palavras e seus gestos.
E vou ser dona de mim mesma. Porque não vou mais deixar que ninguém seja.
Não foi nada mal pensado nem impulsivo. É a hora... De abandonar o vitimismo das situações sem volta e buscar a verdade da própria força já há tempo represada por meus ais... Mas sim: é verdade que te culpo. Porque você me deu coragem de viver algo tão intenso que libertou minha força de mim mesma. Agora sinto a coragem de qualquer coisa porque as amarras em que eu mesma me enfiei caíram de passadas. Não é fácil ser eu... Mas é mais difícil ainda quando esse eu é permeado de máscaras velhas, que não servem pra me definir... Você me deu coragem de ser. Sem nada além que meu rosto no espelho, olhando o brilho nos olhos que já estava há tanto tempo murcho, escondido por normas de conduta que não faziam parte de mim.
E guardo e vou usar a tua força pra vencer mais essa, e vou usar o teu brilho nos olhos e o melhor de nós dois pra aprender a viver da melhor forma. Vou lembrar-me dos nossos dias, semanas; elas serão meu exemplo de felicidade e intensidade do que é respirar livremente. Vou lembrar de como eu era contigo: essa era eu. E vou cuidar de mim. Como você cuidava com as suas palavras e seus gestos.
E vou ser dona de mim mesma. Porque não vou mais deixar que ninguém seja.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Amor a si - de Thiago Buriche
Amar como se ama a vida,
Amar como amando alguém,
O amor pela vida, pela pessoa,
Como um amor a si mesmo...
O descontrole de uma lida
Ao autocontrole um dia
Para perceber a sincronia
Que há no consciente amor...
O amor a si como um alento,
Um vento na colina de um dia,
Uma dia que ilumina uma vida
Em presente instante em poesia...
Amar como se ama um sentido
E segue esse mesmo caminho
Por toda uma lida de glória,
Por toda uma ida ao carinho...
A clareza de saber que se ama,
A poesia silente que se levanta
Do nosso fraterno sentimento
De se amar da dor à alegria...
O amor a si como contento,
Como um estado sereno -
Pois o amar sempre foi
O primeiro instante
De movimento.
Amar como amando alguém,
O amor pela vida, pela pessoa,
Como um amor a si mesmo...
O descontrole de uma lida
Ao autocontrole um dia
Para perceber a sincronia
Que há no consciente amor...
O amor a si como um alento,
Um vento na colina de um dia,
Uma dia que ilumina uma vida
Em presente instante em poesia...
Amar como se ama um sentido
E segue esse mesmo caminho
Por toda uma lida de glória,
Por toda uma ida ao carinho...
A clareza de saber que se ama,
A poesia silente que se levanta
Do nosso fraterno sentimento
De se amar da dor à alegria...
O amor a si como contento,
Como um estado sereno -
Pois o amar sempre foi
O primeiro instante
De movimento.
domingo, 19 de maio de 2013
De volta
"No se ve... Pero siento que hay en mí algo que está cambiando..."
Aos poucos voltando a organizar, e escrever, e seguir...
Aos poucos voltando a organizar, e escrever, e seguir...
domingo, 28 de abril de 2013
Estrelas
A paz não se busca com a resolução de todos os problemas... É antes uma condição do espírito que está além e acima de qualquer perturbação... E como ver tudo de cima e só sentir o vento fresco vindo da poeira e energia das estrelas. E descobrir: o que importa é como levamos a vida, e não o que levamos. Posso não ter nada e ser muito. Posso ter muito e na verdade não possuir nada. Pois o que se leva da vida é a maneira como passamos pelas coisas.
Par ideal - Ressalvas
[Antes de qualquer adjetivo abaixo, quero um homem: correto, honesto, sincero, generoso e que saiba tratar todas as pessoas com gentileza e respeito. Alguém que possua valores, e saiba o que é tratar bem uma mulher.]
Se eu fosse escrever um texto para um desses sites de relacionamento? Seria assim:
"O que eu quero é ter alguém que me mova e que me some, e que eu possa agregar coisas boas a essa pessoa. Nada de pesos desnecessários... Amor precisa ser leve, sem medo ou sem jogos. Quero uma pessoa sem medo de viver, curiosa, que goste de conhecer o outro, aos poucos, descobrindo suas virtudes e seus abismos, e aprendendo a lidar com eles. Alguém com quem eu possa contar em meus dias difíceis, pois com certeza essa pessoa poderá contar comigo. Antes de um namorado, quero sobretudo um amigo, que possa me ouvir de verdade, e que possa falar sem ressalvas; um amigo com quem eu possa ver meus filmes alternativos, visitar meus museus, assistir minhas peças de teatro e conversar sobre qualquer coisa. E um homem que possa apresentar sua visão de mundo - com seus filmes, seus hábitos, suas músicas, seu jeito. Um ser apaixonado pela vida e observador nato: alguém que tope ambientes novos, sociável e gentil pra lidar com gente nova, interessado e animado pra conhecer vida nova e então viver experiências novas. Alguém feliz consigo mesmo, em paz com suas conquistas e fracassos. Que goste de viajar. Com um belo sorriso nos lábios e pouca coisa na mochila. Um ser que busque a luz de Deus mas não esqueça da própria luz: alguém que ame a si mesmo antes de me amar. Não precisa ser culto; porém não abro mão de um pouquinho de inteligência. Para poder argumentar sem medo da própria opinião. Alguém que curta os prazeres da vida, sem exageros; e alguém que curta bastante sexo - pode ser exageradamente rs. Não precisa ser bonito; precisa ser atraente: e isso se consegue com muito mais auto-confiança e boa-vontade do que com roupas novas e olhos azuis.Tenho leve queda por homens altos, com cara de homem e experiência mediana de vida. Como preferência, homens mais velhos que eu. Em quem eu possa me aninhar e aprender, mais do que ensinar algo. Se mais novos, não se esqueçam: não quero ser mãe, quero ser mulher; e não quero ser a comandante do relacionamento, quero ser feminina. E ser feminina é ser guiada pela mão. É não ter medo da entrega, é confiar. 1,56 de altura, 54 quilos, 68 de cintura, 94 de busto e 93 de quadril. Olhos negros. Mãos pequenas. Sorriso largo. Já estudei antropologia, já fiz teatro e já quis ser artista plástica. Hoje estudo literatura, faço parkour e ainda desenho e pinto de vez em quando. Se tens coragem, bem-vindo! Se não a tens, nem me procure."
Esperança
Obrigada pela paz que você me trouxe de volta. Obrigada por me fazer voltar a acreditar...
sábado, 27 de abril de 2013
Solidão
Hoje acordei com um buraco enorme no peito... E uma vontade grande de me aninhar em alguém, algo que me preenchesse de verdade... Uma angústia sem tamanho que parece que me deixa tão longe do céu... Lembro-me nesses momentos do quanto que estou longe de casa, do meu verdadeiro lar, da minha verdadeira plenitude...Sabe aqueles dias em que tudo cessa e as esperanças somem? Aqueles dias em que só resta o mundo, e essa humanidade dura?
Então me lembro da enorme batalha que me acompanha desde sempre: de um lado a salvação de Deus; do outro, a vida mundana que me acompanha, sempre. Sinto-me dividida em pedaços... Se ao menos eu descobrisse um lugar que me desse paz... Deus me envolve e me julga, a vida me acompanha e me arrasta. Não há mais pureza de espírito, tudo embaça aos meus olhos, queria aprender a me cuidar... A dor persiste, um desamparo sem nome que não me larga... Um pouco de paz...
Só, em frente aos dois caminhos. Só, sentada, fumando calmamente e olhando pro horizonte próximo e distante. A dor segue em mim. O que ser? O que seguir? O que manter e jogar fora? Peguntas; perguntas sem resposta. Por enquanto somente a dor a me envolver.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Agreste (ficção) cap 1
Capítulo 1
24 de abril de 2013
_ Deve haver alguma punição no inferno para o que você está fazendo agora... Buscando o silêncio de uma igreja para escrever suas obscenidades... Tem sorte de Deus não enviar um raio pra te fulminar nesse momento...
(Risos) _ Só estou esperando o museu abrir. Assim estarei mais a vontade para escrever. E em parte, Deus e sua moral são responsáveis pela minha escrita... Se não tivesse transformado a minha doce realidade em meras palavras, eu não estaria aqui...
Hoje o que me resta é escrever... Escrever para lembrar, relembrar para escrever, um círculo perpétuo... Pra manter um pouquinho do que você me criou... Não há passagens, fatos tão fortes como os nossos que não consigam deixar um rastro. E quanto a escrita foge, é do teu cheiro que lembro... É sempre na realidade que me agarro. É sempre a partir do que foi. Surpreso ficarás quando veres que a escrita mostra o que a realidade me fez... Surpreso por ver o quanto me atingiu... E o quanto me restou de ti. Às vezes, quase nada, às vezes muito, às vezes pouco. Mas sempre algo. Sempre uma tentativa de captar o ar, o cheiro, um desesperado intento de te guardar no papel...
Ah...! Se os anjos soubessem o que é o céu dos sentidos... Não se negariam a um gole desse entorpecimento divido...
Eu prefiro a dor do mundo e o céu das tuas cores quando fazemos sexo. Prefiro o teu jeito ao meu julgamento. Prefiro o fato à ideia, prefiro tua pele à escrita... Então por que hoje eu somente escrevo? Talvez para unir os dois num só. Talvez por comedimento meu. Que me condenou à moral do que é certo... Talvez minha queda ao seguir o Deus dos homens...
Ah! Porque o Deus de verdade não nos pode negar isso... O mundo foi feito para nós... Por nós... Aquele quarto é nosso, ainda... As noites insones, nossos corpos unidos em um prazer inimaginável... Nós... Teu olhar amoroso e cínico que me acompanha a cada gesto. Você e sua face dura de um jeito tão doce de ser... A vida rodando em meus sentidos, nós ali, enrolados naqueles sentimentos todos. Nós desencontrados.
"Eu sou o teu vaqueiro! Sou teu homem de verdade que te come!"
Eu sou a luz dos teus olhos... Sou a esperança de uma realidade melhor... Sou o seu abrir de sentidos...
(continua)
Agreste (ficção)
Prólogo
7 de fevereiro de 2013
Teus olhos formados de um castanho profundo como a noite... Teu olhar oblíquo porque cheio de nuances, nuances demais. Teu rosto talhado como se de madeira esperasse pelo entalhe. Duro, áspero, desconcertante. Tua face reveladora de segredos de outras faces. Que também são tuas. Teu cabelo fino cortado rente que passas entre tuas mãos acolhedoras. E contraditoriamente envolventes.
Teus olhos formados de um castanho profundo como a noite... Teu olhar oblíquo porque cheio de nuances, nuances demais. Teu rosto talhado como se de madeira esperasse pelo entalhe. Duro, áspero, desconcertante. Tua face reveladora de segredos de outras faces. Que também são tuas. Teu cabelo fino cortado rente que passas entre tuas mãos acolhedoras. E contraditoriamente envolventes.
“Eu juro que te achava um anjo. Eu juro que havia encontrado o céu.
Porém não quis ler teus sinais... Porém não quis ver que a tua face carrega
outras faces. Mais uma vez cai ao ver que o mundo não é a extensão dos meus
desejos... Mais uma vez, um anjo caído se apóia entre os meus braços. E me pede
um abraço a mais. Cada vez mais fundo, cada vez mais preso, cada vez mais cego.”
“Desculpa, ta?” E um olhar doce escaneia todos os seus
atos... “Tudo bem, relaxa cara”, a menina tenta responder, procurando não
parecer nada além dela mesma. Mas nem mesmo a menina sabe, que há mais faces
nela do que ela sequer concebia ver. Até aquele momento.
“Você é a mais sensata entre nós, garota, sem dúvida!”. Entre os anjos
caídos, ela parecia a mais apta ao céu. Desde muito nova, já carregava um ar
das coisas corretas e do que era o mais certo conceber e fazer. Era a
“conselheira”, a sábia que levava alento aos corações desesperados do grupo...
Aos corações encharcados de pecados... Sabia elevar os pensamentos e tirar do
caminho sentimentos desconcertantes. Até aquela data. Em que sem ver entrou em um
terreno que de luz passou a mostrar sombras e labirintos quebrados. Labirintos
com cheiro de um perfume que embotava os sentidos.
“Conhece
essas florezinhas? São lindas, porém muitos sensíveis ao toque, caem rápido...
Lá em Campo Grande há florezinhas iguais a essa... Só que de muitas cores, havia
amarelas, rosas, roxas, muitas cores mesmo sabe... Ai eu tive a ideia de fazer
um buquezinho com todas as cores de florzinhas e levá-las pra Bel, minha
namorada na época. Porém não deu muito certo...” Uma leve pontada despertou no
meu peito: é, eu sei que o que é sensível demais se despetala. Escorre entre os
dedos e cai...
Ele havia apostado tudo em um amor desesperado. Havia trocado de
amores em busca de paz. E o que encontrou foi o caos, envolveu-se em sombras,
em culpa marcada pelo afeto. Não aguentou o peso do céu. E caiu debilitado aos pés
dela. Cheio dos seus próprios erros, cansado dos erros alheios, com um resto de
raiva a consumi-lo, e louco pela desforra. E louco pra retomar o seu lugar entre
os homens.
“Você está me enlaçando cara...” “Bem-vinda ao mundo da sacanagem...”
E uma risada gostosa tomou conta do ar. Era a sua risada. Vinda da sua boca que
sorria sereno pra mim e dizia “Não estou não, bonita”. Só me restava esperar. Porque
você havia paralisado minha mente. Onde estava a sensatez? “Sabe, eu era uma
pessoa íntegra!”, falava em torno de um sorriso. E os seus olhos brilharam
antes de propagar uma risada ainda mais gostosa que todas as outras, enquanto
eu me deliciava discretamente com o seu prazer... “Vai, continua!”. “Até que
você veio, não sei de onde, completamente por acaso
porque a gente nem poderia sequer se conhecer...” “E entrei na sua vida,
na vida dela, na vida de vocês...” “E me produziu isso!” “Calma, não fica
assim”... E me abraçava de um jeito manso, como se a vida se resumisse a isso...
Nada havia
acontecido... Porém acontecera tudo. Já havia traído. Já havia ultrapassado a
linha, já havíamos entrado no caos.
Não volte atrás bichinho... Você já me enlaçou. Sou o gado que o
sertanejo persegue por entre a caatinga cheia de espinhos. Sou o caminho
enviesado do vaqueiro em busca de sua presa por entre os galhos do sequeiro.
Você já me avistou, percorreu o agreste debaixo do sol, jogou a corda, me
prendeu com um nó. Pra quê fugir agora?
“Sou muito boba né?” “É, você é boba... Vocês se parecem
muito...” Tomou o ar sério da conversa. Ai era a hora de assumir uma das faces,
a mais sensata: nós éramos muito amigos. Nos apoiamos sinceramente quando nosso
mundo ruiu. A coincidência dos fatos nos fez viver um longo relacionamento, começar e terminar quase na mesma data, vivendo quase as mesmas dores,
quase os mesmos medos, quase o mesmo céu e inferno. E o que começou de um jeito
manso, passou a uma amizade que “me trouxe à luz de volta e me segurou quando
eu caia”.
E
repentinamente me envolveu em outras sombras, mais espessas, mais escuras,
porém que traziam um ar tão forte...
“No puedo tomar café
Que el café me quita el sueño
Yo prefiero tomar té
Que tomando té me duermo
En la cama té tomé
Y tan dulce lo encontré
Que estaría toda la vida
Tomando té,
tomando té, tomando té...”
Silêncio
Minha alma quer gritar mas não pode... Escondo de mim mesma meus desejos mais intensos e tênues do porvir... Como será gritar em silêncio? Chamar a atenção sem ser visto ou notado? Como será o exercício do ocultar-se entre as trevas mais ingênuas para despertar os gostos mais inusitados? Sinto falta do seu cheiro... Por isso escrevo. Para que no silêncio em que me encontro teu cheiro ganhe ares tais a ponto de ser capturado pela minha escrita.
Penumbra
Ó vós que vagais pela terra sombria
confiai! Porque, embora negra se estenda,
termina a floresta algures algum dia,
e o sol que se abre penetra sua tenda;
o sol que levanta, o sol que anoitece,
o dia que termina, o dia que começa;
Pois a leste e a oeste a floresta perece...
SdA - A sociedade do Anel.
confiai! Porque, embora negra se estenda,
termina a floresta algures algum dia,
e o sol que se abre penetra sua tenda;
o sol que levanta, o sol que anoitece,
o dia que termina, o dia que começa;
Pois a leste e a oeste a floresta perece...
SdA - A sociedade do Anel.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Par ideal
Se eu fosse escrever um texto para um desses sites de relacionamento? Seria assim:
"O que eu quero é ter alguém que me mova e que me some, e que eu possa agregar coisas boas a essa pessoa. Nada de pesos desnecessários... Amor precisa ser leve, sem medo ou sem jogos. Quero uma pessoa sem medo de viver, curiosa, que goste de conhecer o outro, aos poucos, descobrindo suas virtudes e seus abismos, e aprendendo a lidar com eles. Alguém com quem eu possa contar em meus dias difíceis, pois com certeza essa pessoa poderá contar comigo. Antes de um namorado, quero sobretudo um amigo, que possa me ouvir de verdade, e que possa falar sem ressalvas; um amigo com quem eu possa ver meus filmes alternativos, visitar meus museus, assistir minhas peças de teatro e conversar sobre qualquer coisa. E um homem que possa apresentar sua visão de mundo - com seus filmes, seus hábitos, suas músicas, seu jeito. Um ser apaixonado pela vida e observador nato: alguém que tope ambientes novos, sociável e gentil pra lidar com gente nova, interessado e animado pra conhecer vida nova e então viver experiências novas. Alguém feliz consigo mesmo, em paz com suas conquistas e fracassos. Que goste de viajar. Com um belo sorriso nos lábios e pouca coisa na mochila. Um ser que busque a luz de Deus mas não esqueça da própria luz: alguém que ame a si mesmo antes de me amar. Não precisa ser culto; porém não abro mão de um pouquinho de inteligência. Para poder argumentar sem medo da própria opinião. Alguém que curta os prazeres da vida, sem exageros; e alguém que curta bastante sexo - pode ser exageradamente rs. Não precisa ser bonito; precisa ser atraente: e isso se consegue com muito mais auto-confiança e boa-vontade do que com roupas novas e olhos azuis.Tenho leve queda por homens altos, com cara de homem e experiência mediana de vida. Como preferência, homens mais velhos que eu. Em quem eu possa me aninhar e aprender, mais do que ensinar algo. Se mais novos, não se esqueçam: não quero ser mãe, quero ser mulher; e não quero ser a comandante do relacionamento, quero ser feminina. E ser feminina é ser guiada pela mão. É não ter medo da entrega, é confiar. 1,56 de altura, 54 quilos, 68 de cintura, 94 de busto e 93 de quadril. Olhos negros. Mãos pequenas. Sorriso largo. Já estudei antropologia, já fiz teatro e já quis ser artista plástica. Hoje estudo literatura, faço parkour e ainda desenho e pinto de vez em quando. Se tens coragem, bem-vindo! Se não a tens, nem me procure."
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Manuel Bandeira...
Andorinha Andorinha lá fora está dizendo: - "Passei o dia `a toa, `a toa!" Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida `a toa, `a toa...
terça-feira, 16 de abril de 2013
Facho de luz
Ainda sentia o gosto amargo do episódio de ontem... Talvez uma queda meramente química de ânimo, uma doença que ainda não havia diagnosticado da forma certa; talvez o acúmulo de tantas dores nos últimos dias - suficiente para derrubar os seres mais frágeis...
Havia uma flecha transpassada no seu peito. Que quanto mais mexia mais produzia dor, e doía sempre que respirava. Longa, de ponta afiada, a manchar de sangue tantas esperanças e sentimentos... Era tão belo, tão claro, tão acolhedor... De uma hora para outra ela se via caindo em um vão escuro: onde estavam as asas que a carregavam para o céu? De uma hora a outra os elogios se converteram em xingamentos, o orgulho em vergonha, o amor em raiva, a vida em morte: lhe arrancaram tudo de modo muito súbito, muito rápido, muito desesperador. "Você... Por que você?"
Porque ela não percebeu os seus sinais... O seu olhar era oblíquo sim... O seu sorriso não era só de prazer, mas também de dor... Anjo e demônio, assim como ela... As duas sombras se tocaram e acabou-se a luz. Extinguiu-se o ar. Desesperou-se a vida.
A angústia seguiu o dia inteiro, consumindo, espreitando, intoxicando os sorrisos... Como um vazio de alma.
Entretanto, contrariando todas as expectativas, ela saiu de casa e não se jogou ao caos: teve um dia longo, cheio de atividades que afastaram por um pequeno tempo suas dores. A vida começou a sair da escuridão e se mostrar... "Eu sou mais forte..." Mais forte que a dor, mais forte que o medo, mais forte que a morte que a vigiava: ela então sobreviveu.
E o que viu hoje, depois de um dia inteiro de provas, foi um pequenino porém constante despertar dos sentidos, como um discreto sopro de vida. A ousadia, a sensualidade da alma, a presença, a luz dos olhos... Onde estava tudo isso desde então...? Tudo que parecia ter sido dado de presente a ela e que se estava esvaindo...? E começou a descobrir finalmente o que precisava descobrir pra seguir de qualquer forma, de qualquer jeito: o brilho, o brilho vinha dela.
A alegria que a acompanhou no início do ano era dela, e somente dela. Ele havia despertado uma alma que não o pertencia... E então a ficha dourada caiu suavemente e fez um ligeiro tilintar no estômago: só dependia dela redespertar-se. E ninguém mais poderia fazer isso novamente...
E assim está ela, a buscar dentro de si um facho de luz independente de qualquer outro... e renascer, novamente, novamente, novamente...
A flecha ainda está lá... Mas começa a apagar-se, apagar-se, e apagar-se...
Havia uma flecha transpassada no seu peito. Que quanto mais mexia mais produzia dor, e doía sempre que respirava. Longa, de ponta afiada, a manchar de sangue tantas esperanças e sentimentos... Era tão belo, tão claro, tão acolhedor... De uma hora para outra ela se via caindo em um vão escuro: onde estavam as asas que a carregavam para o céu? De uma hora a outra os elogios se converteram em xingamentos, o orgulho em vergonha, o amor em raiva, a vida em morte: lhe arrancaram tudo de modo muito súbito, muito rápido, muito desesperador. "Você... Por que você?"
Porque ela não percebeu os seus sinais... O seu olhar era oblíquo sim... O seu sorriso não era só de prazer, mas também de dor... Anjo e demônio, assim como ela... As duas sombras se tocaram e acabou-se a luz. Extinguiu-se o ar. Desesperou-se a vida.
A angústia seguiu o dia inteiro, consumindo, espreitando, intoxicando os sorrisos... Como um vazio de alma.
Entretanto, contrariando todas as expectativas, ela saiu de casa e não se jogou ao caos: teve um dia longo, cheio de atividades que afastaram por um pequeno tempo suas dores. A vida começou a sair da escuridão e se mostrar... "Eu sou mais forte..." Mais forte que a dor, mais forte que o medo, mais forte que a morte que a vigiava: ela então sobreviveu.
E o que viu hoje, depois de um dia inteiro de provas, foi um pequenino porém constante despertar dos sentidos, como um discreto sopro de vida. A ousadia, a sensualidade da alma, a presença, a luz dos olhos... Onde estava tudo isso desde então...? Tudo que parecia ter sido dado de presente a ela e que se estava esvaindo...? E começou a descobrir finalmente o que precisava descobrir pra seguir de qualquer forma, de qualquer jeito: o brilho, o brilho vinha dela.
A alegria que a acompanhou no início do ano era dela, e somente dela. Ele havia despertado uma alma que não o pertencia... E então a ficha dourada caiu suavemente e fez um ligeiro tilintar no estômago: só dependia dela redespertar-se. E ninguém mais poderia fazer isso novamente...
E assim está ela, a buscar dentro de si um facho de luz independente de qualquer outro... e renascer, novamente, novamente, novamente...
A flecha ainda está lá... Mas começa a apagar-se, apagar-se, e apagar-se...
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,15719352,00.jpg
segunda-feira, 15 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
Tranquilidade
Eu até me contentaria com aquela casa simples do meio da rua, aquela não tão luxuosa quanto as outras, em que pudéssemos criar nossos filhos com amor e dignidade. Uma família tranquila, sem grandes necessidades nem aventuras, somente nós; talvez dois, um cachorro, um gato, e muito trabalho. Andando pelas ruas um dia já andadas por nós, o que senti foi estranhamento: as lojas pelas quais passávamos, os prédios, aquela vila que quis entrar uma vez... Talvez com muito esforço e depois de alguns anos poderíamos comprar aquela casa da vila, tão bonita, e viver ali o resto dos dias na paz de Deus... A rua principal se apresentava a mim do mesmo jeito de sempre, indiferente e acolhedora ao mesmo tempo. Vejo as padarias em que fizemos lanche, mais por minha fome que pela sua, o Imperator em seu lugar imponente, as pessoas, os carros, as crianças: tudo parecendo no mesmo lugar. O mesmo lugar... E meu coração voltava a caminhar sozinho por aqueles lados, agora andando mais rápido por estar só...
O hábito... O passado que se erguia frente a mim assim tão plácido... A praça onde treinei tantas vezes... Os banquinhos em que sentávamos e víamos o vento passar... Não era fantástico, não era maravilhoso, não era tudo o que eu sempre quis, mas éramos nós: mas você estava ali. Com o seu ar melancólico de sempre, suas mesmas críticas, seu silêncio. Mas também com sua gentileza infinita e sua generosidade. Você, um homem bom... Você que nunca levantou sua voz pra mim, levantava seu coração diante de qualquer problema. Ainda tento te ligar. Sem resposta. Volto pra casa, com a certeza de experimentar um pouco do ar doce e triste que sempre vi em seus olhos...
Ps.: Acho que não é ainda o desejo de um mundo novo... É pois somente a aceitação do que se foi...
O hábito... O passado que se erguia frente a mim assim tão plácido... A praça onde treinei tantas vezes... Os banquinhos em que sentávamos e víamos o vento passar... Não era fantástico, não era maravilhoso, não era tudo o que eu sempre quis, mas éramos nós: mas você estava ali. Com o seu ar melancólico de sempre, suas mesmas críticas, seu silêncio. Mas também com sua gentileza infinita e sua generosidade. Você, um homem bom... Você que nunca levantou sua voz pra mim, levantava seu coração diante de qualquer problema. Ainda tento te ligar. Sem resposta. Volto pra casa, com a certeza de experimentar um pouco do ar doce e triste que sempre vi em seus olhos...
Ps.: Acho que não é ainda o desejo de um mundo novo... É pois somente a aceitação do que se foi...
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Confiança (o muro é o outro)
Ah! a confiança é um arraso de normas e atitudes desencontradas quando gostamos de alguém... Dar um nó cego na alma e se jogar a quem não conhecemos senão pelo lado de fora é algo digno dos fortes. Por isso as quedas são grandes e dignas de um calmante tomado antes de dormir.
Mas ai a pergunta que me faço, depois de tantos laços desatados e noites insones, é se realmente devemos nos preocupar tanto assim. Porque diferente de um muro em que nos jogamos e nós mesmos medimos o salto e somos responsáveis por ele, no caso do outro há sempre o outro como metade da história. O outro que vamos conhecendo aos poucos e que nos vai mostrando a distância do muro a cada encontro, a cada palavra, a cada gesto. Só que ai já nos jogamos a ele antes de medir o tombo - e se a distância for grande demais? - e vamos vendo no meio do esforço físico do salto se caímos ou nos agarramos... É, é arriscar-se viu...
Mas será que vale tanto sofrimento? Se não alcançamos o muro caímos no vão, podemos nos machucar, quebrar algo: por isso o cálculo preciso antes de saltar. E a noção da própria responsabilidade. Porém, e se o muro é o outro? E se achamos que a distância é curta e durante o salto ela se mostra infinita? Muitas vezes é fácil, outras é tão difícil prever. E diferente das lesões físicas, os golpes na alma podem ser muito maiores e tardarem a sarar. Entretanto, sigo perguntando: será que vale tanto sofrimento?
Porque se não temos o tudo nas mãos - e nem se saltamos o muro real temos - o sofrimento para além da desilusão é desnecessário. Somos só uma parte do todo, somente uma parte da fé. Não há garantias; se não há como prever a queda, por que chorar pelo tombo? Se não há como prever a dor, por que se sentir culpado? Não está inteiramente nas nossas mãos; não vemos a distância do muro. É ter a mente alerta, a previsão cega e o coração pronto.
Mais belo e mais fácil - e mais coerente - é viajar livremente por entre esse mar de sentimentos nossos e alheios... É voar de forma esvoaçante por entre a distância do ponto ao muro... E se agarrarmos, tanto bom; se cairmos, nossas asas não nos deixarão tocar o vão... E vamos seguindo, leves, em busca de outras distâncias, grandes, pequenas... Sem medo. Sem culpa. Sem a sensação de angústia que precede e que procede da dor. Sentindo vivamente a dor e a delícia de conhecer o outro.
Criemos asas! Pra voar e beijar umas flores por aí. E pra explorar certas distâncias, em busca de um muro que nos livre do chão. E nos faça subir.
Mas ai a pergunta que me faço, depois de tantos laços desatados e noites insones, é se realmente devemos nos preocupar tanto assim. Porque diferente de um muro em que nos jogamos e nós mesmos medimos o salto e somos responsáveis por ele, no caso do outro há sempre o outro como metade da história. O outro que vamos conhecendo aos poucos e que nos vai mostrando a distância do muro a cada encontro, a cada palavra, a cada gesto. Só que ai já nos jogamos a ele antes de medir o tombo - e se a distância for grande demais? - e vamos vendo no meio do esforço físico do salto se caímos ou nos agarramos... É, é arriscar-se viu...
Mas será que vale tanto sofrimento? Se não alcançamos o muro caímos no vão, podemos nos machucar, quebrar algo: por isso o cálculo preciso antes de saltar. E a noção da própria responsabilidade. Porém, e se o muro é o outro? E se achamos que a distância é curta e durante o salto ela se mostra infinita? Muitas vezes é fácil, outras é tão difícil prever. E diferente das lesões físicas, os golpes na alma podem ser muito maiores e tardarem a sarar. Entretanto, sigo perguntando: será que vale tanto sofrimento?
Porque se não temos o tudo nas mãos - e nem se saltamos o muro real temos - o sofrimento para além da desilusão é desnecessário. Somos só uma parte do todo, somente uma parte da fé. Não há garantias; se não há como prever a queda, por que chorar pelo tombo? Se não há como prever a dor, por que se sentir culpado? Não está inteiramente nas nossas mãos; não vemos a distância do muro. É ter a mente alerta, a previsão cega e o coração pronto.
Mais belo e mais fácil - e mais coerente - é viajar livremente por entre esse mar de sentimentos nossos e alheios... É voar de forma esvoaçante por entre a distância do ponto ao muro... E se agarrarmos, tanto bom; se cairmos, nossas asas não nos deixarão tocar o vão... E vamos seguindo, leves, em busca de outras distâncias, grandes, pequenas... Sem medo. Sem culpa. Sem a sensação de angústia que precede e que procede da dor. Sentindo vivamente a dor e a delícia de conhecer o outro.
Criemos asas! Pra voar e beijar umas flores por aí. E pra explorar certas distâncias, em busca de um muro que nos livre do chão. E nos faça subir.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
As salinas!
As salinas... Sonhos inefáveis de algo que passa, aos poucos, da realidade ao quase-sonho...Ah, as salinas...
Visões do paraíso terreno e das pinturas mais tenras à óleo com as cores azuis e brancas e verdes e o traço fluido...
As salinas dos meus olhos que passavam rápido por entre as janelas da alma, do ônibus, do dia que passava lento e calmo... Da manhã assustadiça... Dos desejos dos seus sentidos... As salinas sob o Sol...
http://joserosarioart.blogspot.com.br/2013/02/carlos-augusto.html
Eu, você, a visão do mar e do sal, as possibilidades de um futuro ameno e hoje distante...
O céu tão claro e plácido, suas mãos tão acolhedoras... Como seu olhar macio.
Hoje me lembro e suspiro: pelo mar, pelo Sol, pelo sal que brilha os sentidos, mas muito mais por ti...! E as salinas só foram belas... Porque também estavam em seus olhos...
Visões do paraíso terreno e das pinturas mais tenras à óleo com as cores azuis e brancas e verdes e o traço fluido...
As salinas dos meus olhos que passavam rápido por entre as janelas da alma, do ônibus, do dia que passava lento e calmo... Da manhã assustadiça... Dos desejos dos seus sentidos... As salinas sob o Sol...
http://joserosarioart.blogspot.com.br/2013/02/carlos-augusto.html
Eu, você, a visão do mar e do sal, as possibilidades de um futuro ameno e hoje distante...
O céu tão claro e plácido, suas mãos tão acolhedoras... Como seu olhar macio.
Hoje me lembro e suspiro: pelo mar, pelo Sol, pelo sal que brilha os sentidos, mas muito mais por ti...! E as salinas só foram belas... Porque também estavam em seus olhos...
Gratuidade
É engraçada minha capacidade de me doar completamente àquilo que não tem nome nem preço... Enquanto deixo intactos de minha dedicação outros objetos tão caros... Pergunto-me na verdade se o que gosto é de ver o suor doce dos meus atos escorrendo por entre a lama dos porcos; enquanto isso minhas pérolas de sabor tácito apodrecem em vão em meio a tantos fatos desencontrados.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Disciplina
Capacidade de crer na própria capacidade de ser capaz de ser forte.
Sempre achei que minhas conquistas fossem algo vindo do simplório destino. Nunca enxerguei minhas reais capacidades e nunca valorizei o meu real esforço em crescer. Por achar que o mundo poderia cair do céu, demorei em perceber que é o meu esforço que me move...
Disciplina: capacidade de crer na própria capacidade de ser capaz de ser forte.
Sempre achei que minhas conquistas fossem algo vindo do simplório destino. Nunca enxerguei minhas reais capacidades e nunca valorizei o meu real esforço em crescer. Por achar que o mundo poderia cair do céu, demorei em perceber que é o meu esforço que me move...
Disciplina: capacidade de crer na própria capacidade de ser capaz de ser forte.
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