"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

terça-feira, 16 de julho de 2013

Garoa...




O vento é frio e agradável... Desço do ônibus e algo em mim diz pra caminhar devagar, sem pressa... Vou diminuindo o passo e aos poucos prestando mais atenção às coisas... As mãos nos bolsos, uma tristeza que aos poucos vai ficando mansa, sendo aceita por mim... Uma tristeza mansa, morna, suave... 

Uma calma me sobe... Estranha pois hoje mesmo estava às raias do destemperamento... Um jeito brando e suave, das coisas que caminham devagar... Aos poucos penso, vem vindo uma serenidade grande, meus sentidos vão voltando ao natural... Começo a lembrar de canções, de um violão, um violão sendo dedilhado,  uma janela ao fim da tarde imersa em uma garoa fina, e assim os ladrilhos do chão passam com calma, os passos passam, um homem passa...

Um homem passa e escaneio seus olhos, olhos bonitos...Um homem de sobretudo passa e vejo em seu rosto a face de anos já passados, já meio grisalhos em sua barba e bigode... Um homem de olhos belos... Ele passa e me avista, e me resgata suavemente do meu passo... E sigo, e passo... Ele entra em sua rua, e segue seu olhar... Eu sigo olhando pra ele... O passo devagar, ainda manso, mas com um sorriso leve de sossego...


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Fantasmas

Possuo uma doença incurável e cheia de esteriótipos, que descobri há pouco...
Tive três baques afetivos em 6 meses, dois deles com a mesma pessoa...
Um deles que me passou a doença...
Tenho trabalho atrasado, faltas excessivas...
Tenho estudos atrasados, mestrado parado...
Um apartamento novo postergando a moradia...
Atividades físicas paradas e o começo de um aumento de peso...
Desânimo, dias desperdiçados, tristeza, revolta...
Dinheiro não controlado, risco de gastos acima da capacidade...
Amigos deixados, aparência deixada...
Religião deixada...
Vazio, falta de esperança no futuro...
Uma vida despedaçada...
Penumbra.

Sou uma ferida aberta e às vezes minha única vontade é a de ferir. O outro. Eu mesma. Sou a sombra do que fui, sou a dor gritando de todos os meus poros... Queria poder atingir a sua alma de forma irreversível. Arrasto-me na borda do abismo. Cato com calma os últimos poucos pedaços saudáveis de mim. Meus braços estão cansados. Minhas pernas não andam mais. Cortejo a insanidade. Ela já me espreita com olhos curiosos e cheios de malícia. Estou no ponto. Quase o caos.