O vento é frio e agradável... Desço do ônibus e algo em mim diz pra caminhar devagar, sem pressa... Vou diminuindo o passo e aos poucos prestando mais atenção às coisas... As mãos nos bolsos, uma tristeza que aos poucos vai ficando mansa, sendo aceita por mim... Uma tristeza mansa, morna, suave...
Uma calma me sobe... Estranha pois hoje mesmo estava às raias do destemperamento... Um jeito brando e suave, das coisas que caminham devagar... Aos poucos penso, vem vindo uma serenidade grande, meus sentidos vão voltando ao natural... Começo a lembrar de canções, de um violão, um violão sendo dedilhado, uma janela ao fim da tarde imersa em uma garoa fina, e assim os ladrilhos do chão passam com calma, os passos passam, um homem passa...
Um homem passa e escaneio seus olhos, olhos bonitos...Um homem de sobretudo passa e vejo em seu rosto a face de anos já passados, já meio grisalhos em sua barba e bigode... Um homem de olhos belos... Ele passa e me avista, e me resgata suavemente do meu passo... E sigo, e passo... Ele entra em sua rua, e segue seu olhar... Eu sigo olhando pra ele... O passo devagar, ainda manso, mas com um sorriso leve de sossego...


