Um burguês pode adquirir méritos e desenvolver seu espírito a não mais poder, mas sua personalidade se perde, apresente-se ele como quiser (...) Não lhe cabe perguntar: 'Que es tu?' e sim Que tens tu? Que juízo, que conhecimento, que aptidão, que fortuna?' (...) ele deve desenvolver suas diversas faculdades para torna-se útil, e já se presume que não há em sua natureza nenhuma harmonia, nem poderia haver, porque ele, para se fazer útil de um determinado modo, deve descuidar de todo o resto.
Goethe
Trabalho em um dos maiores cursos de línguas do país como professora de espanhol. Enfrento cobranças que não correspondem comigo mesma. Mas continuo por conta de um intuito instintivo, da manutenção de um emprego que tantos sonham, mas que poucos conseguem.
Agradeço a primeira oportunidade, a primeira assinatura da carteira. Também o aprendizado das aulas. Não muito mais do que isso. Porque se algo foi reponsável pelo meu endurecimento, pela minha desesperança, foram eles sem dúvida. Sinto saudades do tempo em que muitas coisas eram possíveis. Hoje elas são só imagináveis. Ter que conviver com a hipocrisia diária, sentir-se parte de uma engrenagem que valoriza mais a quantidade que a qualidade, saber-se injustiçado, abrigar-se dos últimos sonhos como válvula de escape, sentir, imaginar, prever, ter e não ter razão nesse meio: pois sou somente uma "técnica de ensino".
Trabalho por horas-aula, não recebo por enforcamentos de feriados, não recebo passagens quando substituo, não tenho escolha muitas vezes. Andar por aqueles corredores me faz sentir-me vigiada Sufocada numa complexa rede que calcula friamente todos os meus passos, e todos os meus erros. E isso não é pessoal. Vejo colegas já cansados, desmotivados, presos nessa máquina que despersonaliza a todos, que como no texto de Goethe, faz com que sejamos úteis o bastante para não sermos nada. Não interessa o que somos, o esforço que fazemos, mas os resultados pífios que obtemos. Mesmo à custa daquilo que não é certo. Mesmo à custa de alunos que passam sem poder, que se rematriculam nessa corrida insana e irracional.
Sou marxista. Não de ações, pois preciso pagar minhas contas. Sou marxista de idéias. E minhas idéias entram em choque com o real. Entrelaço-me sem querer. Visto a camisa de um mundo que não é meu. De uma realidade que vai de encontro aos meus valores. À minha vida desde então.
Saber-se assim e ainda amar aqueles que movem essa engrenagem. Meus alunos, minhas razões de vida. É somente assim que continuo. Que enfrento o mundo com suas mais superáveis previsões. Com seus mais loucos anseios. Anseios que nunca são meus de verdade. Mas repito que preciso pagar minhas contas e meus sonhos. Admirável mundo novo: já morto antes de crescer...
E sinto saudades de tudo.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
Beautiful day...
Só pra deixar meu dia mais bonito:
http://www.youtube.com/watch?v=venRVMOm7HY
(ps: ainda não sei colocar o video diretamente aqui... rsrs)
http://www.youtube.com/watch?v=venRVMOm7HY
(ps: ainda não sei colocar o video diretamente aqui... rsrs)
Fora isso, o teatro vai bem...
(É. Eu sei que ando me entregando ao que não devia. Mas não pude fugir de certas oportunidades... Aos poucos aprendo a prever o que vai nos dar dor de cabeça ou não se aceitarmos. E o que vale a queda. A dor. Algo que vem da alma somente... Estreito meus braços contra mim mesma neste domingo. E ainda sigo com sua sombra a me deixar, tristemente.)
Fora isso, tudo acumulado. Domingo começa a ser um dia em que deixo tudo pra fazer, ao mesmo tempo em que é um dia em que não quero fazer nada... Complicado assim. Lembro que Paulo sempre me disse que "a gente faz o que pode". E que ao mesmo tempo "somos maiores que o destino ou menores que a própria humanidade" mas o que se deve seguir? Tento ser maior que o tempo parco que me resta. E estou aqui no computador em vez de ler o que devia. Paradoxo... Começar a montar planos reais, deixar de lenga-lenga e palavras vazias. Bem, é aquilo que digo a mais de 6 meses aqui. Mas agora não há mais tempo pra postergar nada.
O teatro vai bem. Pela primeira vez fizemos um ensaio realmente bom. Esteve tudo mais leve e mais bonito. Espero que saia... E espero que saia bem, espero que terminemos bem esta história de mais de dois anos... Muita saudade dos primeiros tempos.
Dos tempos em que nossas aulas eram na áurea e discretamente abandonada biblioteca pública de Niterói. Dos tempos em que a rua N. Senhora da Conceição parecia nossa, que o mundo parecia um pouquinho nosso. Começávamos a aprender a controlar emoções, ao mesmo tempo que tudo parecia começava a parecer a flor da pele. Por conta disso, a vida passava a ter um sentido mais sensível e mais detalhado. Víamos o detalhe. Do sentimento. Da expressão. Do gesto contido. Começar a prever o outro. Eu ainda apaixonada, vivendo o amor da sua forma mais pura. Os outros ainda tão jovens, tão puros também. Tempos bons. Pietro, Mônica, Leonardo, Tatiana, Mariana, Raquel, Suelen. Saudades. Dos lanches de esquina, das trufas de sobremesa, do ar novo, das aulas da uff logo depois, da tarde que ia, que terminava calma, com gosto de energia cumprida. Praticada nos gestos e na nossa alma. Nas palavras que ficavam. Nas palavras que ficavam por serem ditas. Nos sorrisos, nas amizades, na vida em si. Na capacidade de se respirar um ar livre, único. Novo. Vida que desabrochava em vida. Dentro de um palco que desabrochava em nós. Saudades Fábio. Obrigada. Pelo pedacinho de história tão bonito.
Mientras tanto, espero mais novidades pela frente...
Fora isso, tudo acumulado. Domingo começa a ser um dia em que deixo tudo pra fazer, ao mesmo tempo em que é um dia em que não quero fazer nada... Complicado assim. Lembro que Paulo sempre me disse que "a gente faz o que pode". E que ao mesmo tempo "somos maiores que o destino ou menores que a própria humanidade" mas o que se deve seguir? Tento ser maior que o tempo parco que me resta. E estou aqui no computador em vez de ler o que devia. Paradoxo... Começar a montar planos reais, deixar de lenga-lenga e palavras vazias. Bem, é aquilo que digo a mais de 6 meses aqui. Mas agora não há mais tempo pra postergar nada.
O teatro vai bem. Pela primeira vez fizemos um ensaio realmente bom. Esteve tudo mais leve e mais bonito. Espero que saia... E espero que saia bem, espero que terminemos bem esta história de mais de dois anos... Muita saudade dos primeiros tempos.
Dos tempos em que nossas aulas eram na áurea e discretamente abandonada biblioteca pública de Niterói. Dos tempos em que a rua N. Senhora da Conceição parecia nossa, que o mundo parecia um pouquinho nosso. Começávamos a aprender a controlar emoções, ao mesmo tempo que tudo parecia começava a parecer a flor da pele. Por conta disso, a vida passava a ter um sentido mais sensível e mais detalhado. Víamos o detalhe. Do sentimento. Da expressão. Do gesto contido. Começar a prever o outro. Eu ainda apaixonada, vivendo o amor da sua forma mais pura. Os outros ainda tão jovens, tão puros também. Tempos bons. Pietro, Mônica, Leonardo, Tatiana, Mariana, Raquel, Suelen. Saudades. Dos lanches de esquina, das trufas de sobremesa, do ar novo, das aulas da uff logo depois, da tarde que ia, que terminava calma, com gosto de energia cumprida. Praticada nos gestos e na nossa alma. Nas palavras que ficavam. Nas palavras que ficavam por serem ditas. Nos sorrisos, nas amizades, na vida em si. Na capacidade de se respirar um ar livre, único. Novo. Vida que desabrochava em vida. Dentro de um palco que desabrochava em nós. Saudades Fábio. Obrigada. Pelo pedacinho de história tão bonito.
Mientras tanto, espero mais novidades pela frente...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Não sou eu quem me navega... ou Os anos de aprendizado

Mais leve, volto a escrever... Pensamentos estão mais leves, meu corpo mais leve - definitivamente - e minha vida está mais focada, pra mim, pro mundo. O pânico passou. Não quero que ele volte agora. Tenho projetos demais pra serem atrapalhados.
Nada é definitivo nessa vida. Estranho como o tempo passa e vai redefinindo nossos caminhos. Estabelecemos planos, mas até a página 2. Traçamos metas, mas não caminhamos como gostaríamos. Somos levados pelo mar? Ou é minha inexperiência em viver?
Ainda não escrevo como gostaria hehe... Ainda estou caminhando devagar nessa empreitada. Talvez me falte um pouco falar menos de mim puramente e mais dos fatos que me rodeiam... Talvez me falte começar...
Falando em começar, primeiro o comentário da mudança do nome do blog: há coisas mais além que um futuro mestrado rs... E depois de ler o livro de Goethe - Os anos de aprendizado de Wihelm Meister - me vi na imensa possibilidade de escrever sobre o romance de formação e fazer dele meu projeto de mestrado. É um ramo do romance que tem como tema principal a evolução e desenvolvimento de um homem - um personagem, que se torna um ser para além de si mesmo, que se forma no mundo,o mundo o enforma: esse romance capta o processo de formação do homem, um homem que passa a ser o objeto principal da narrativa, um ser em eterno movimento rumo a sua própria evolução. E tudo à sua volta caminha com ele. "A unidade dinâmica da imagem da personagem", segundo Bakhtin. É isso que estou tentando fazer aqui, escrevendo sobre mim e sobre o mundo. Buscando uma imagem de mim. Uma imagem que não cessa, que segue passando como miragem em meus olhos; e que tento captar, digitando essas palavras...
É... Fora isso tudo bem... Muito bem por sinal... :) Começo a enxergar definições em meu turbilhão de vida. Certas coisas relativas ao trabalho, aos amigos, aos estudos, às emoções. Hoje tenho mais base. Pra enfrentar os descaminhos. E pra me definir de encontro aos outros. E ao encontro daqueles que querem bem. Que os anos de aprendizado possam seguir.
Nada é definitivo nessa vida. Estranho como o tempo passa e vai redefinindo nossos caminhos. Estabelecemos planos, mas até a página 2. Traçamos metas, mas não caminhamos como gostaríamos. Somos levados pelo mar? Ou é minha inexperiência em viver?
Ainda não escrevo como gostaria hehe... Ainda estou caminhando devagar nessa empreitada. Talvez me falte um pouco falar menos de mim puramente e mais dos fatos que me rodeiam... Talvez me falte começar...
Falando em começar, primeiro o comentário da mudança do nome do blog: há coisas mais além que um futuro mestrado rs... E depois de ler o livro de Goethe - Os anos de aprendizado de Wihelm Meister - me vi na imensa possibilidade de escrever sobre o romance de formação e fazer dele meu projeto de mestrado. É um ramo do romance que tem como tema principal a evolução e desenvolvimento de um homem - um personagem, que se torna um ser para além de si mesmo, que se forma no mundo,o mundo o enforma: esse romance capta o processo de formação do homem, um homem que passa a ser o objeto principal da narrativa, um ser em eterno movimento rumo a sua própria evolução. E tudo à sua volta caminha com ele. "A unidade dinâmica da imagem da personagem", segundo Bakhtin. É isso que estou tentando fazer aqui, escrevendo sobre mim e sobre o mundo. Buscando uma imagem de mim. Uma imagem que não cessa, que segue passando como miragem em meus olhos; e que tento captar, digitando essas palavras...
É... Fora isso tudo bem... Muito bem por sinal... :) Começo a enxergar definições em meu turbilhão de vida. Certas coisas relativas ao trabalho, aos amigos, aos estudos, às emoções. Hoje tenho mais base. Pra enfrentar os descaminhos. E pra me definir de encontro aos outros. E ao encontro daqueles que querem bem. Que os anos de aprendizado possam seguir.
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