"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

domingo, 28 de abril de 2013

Estrelas

A paz não se busca com a resolução de todos os problemas... É antes uma condição do espírito que está além e acima de qualquer perturbação... E como ver tudo de cima e só sentir o vento fresco vindo da poeira e energia das estrelas. E descobrir: o que importa é como levamos a vida, e não o que levamos. Posso não ter nada e ser muito. Posso ter muito e na verdade não possuir nada. Pois o que se leva da vida é a maneira como passamos pelas coisas.

Par ideal - Ressalvas

[Antes de qualquer adjetivo abaixo, quero um homem: correto, honesto, sincero, generoso e que saiba tratar todas as pessoas com gentileza e respeito. Alguém que possua valores, e saiba o que é tratar bem uma mulher.]

Se eu fosse escrever um texto para um desses sites de relacionamento? Seria assim:

"O que eu quero é ter alguém que me mova e que me some, e que eu possa agregar coisas boas a essa pessoa. Nada de pesos desnecessários... Amor precisa ser leve, sem medo ou sem jogos. Quero uma pessoa sem medo de viver, curiosa, que goste de conhecer o outro, aos poucos, descobrindo suas virtudes e seus abismos, e aprendendo a lidar com eles. Alguém com quem eu possa contar em meus dias difíceis, pois com certeza essa pessoa poderá contar comigo. Antes de um namorado, quero sobretudo um amigo, que possa me ouvir de verdade, e que possa falar sem ressalvas; um amigo com quem eu possa ver meus filmes alternativos, visitar meus museus,  assistir minhas peças de teatro e conversar sobre qualquer coisa. E um homem que possa apresentar sua visão de mundo - com seus filmes, seus hábitos, suas músicas, seu jeito. Um ser apaixonado pela vida e observador nato: alguém que tope ambientes novos, sociável e gentil pra lidar com gente nova, interessado e animado pra conhecer vida nova e então viver experiências novas. Alguém feliz consigo mesmo, em paz com suas conquistas e fracassos. Que goste de viajar. Com um belo sorriso nos lábios e pouca coisa na mochila. Um ser que busque a luz de Deus mas não esqueça da própria luz: alguém que ame a si mesmo antes de me amar. Não precisa ser culto; porém não abro mão de um pouquinho de inteligência. Para poder argumentar sem medo da própria opinião. Alguém que curta os prazeres da vida, sem exageros; e alguém que curta bastante sexo - pode ser exageradamente rs. Não precisa ser bonito; precisa ser atraente: e isso se consegue com muito mais auto-confiança e boa-vontade do que com roupas novas e olhos azuis.Tenho leve queda por homens altos, com cara de homem e experiência mediana de vida. Como preferência, homens mais velhos que eu. Em quem eu possa me aninhar e aprender, mais do que ensinar algo. Se mais novos, não se esqueçam: não quero ser mãe, quero ser mulher; e não quero ser a comandante do relacionamento, quero ser feminina. E ser feminina é ser guiada pela mão. É não ter medo da entrega, é confiar. 1,56 de altura, 54 quilos, 68 de cintura, 94 de busto e 93 de quadril. Olhos negros. Mãos pequenas. Sorriso largo. Já estudei antropologia, já fiz teatro e já quis ser artista plástica. Hoje estudo literatura, faço parkour e ainda desenho e pinto de vez em quando. Se tens coragem, bem-vindo! Se não a tens, nem me procure."

Esperança

Obrigada pela paz que você me trouxe de volta. Obrigada por me fazer voltar a acreditar...

sábado, 27 de abril de 2013

Solidão

Hoje acordei com um buraco enorme no peito... E uma vontade grande de me aninhar em alguém, algo que me preenchesse de verdade... Uma angústia sem tamanho que parece que me deixa tão longe do céu... Lembro-me nesses momentos do quanto que estou longe de casa, do meu verdadeiro lar, da minha verdadeira plenitude...Sabe aqueles dias em que tudo cessa e as esperanças somem? Aqueles dias em que só resta o mundo, e essa humanidade dura?

Então me lembro da enorme batalha que me acompanha desde sempre: de um lado a salvação de Deus; do outro, a vida mundana que me acompanha, sempre. Sinto-me dividida em pedaços... Se ao menos eu descobrisse um lugar que me desse paz... Deus me envolve e me julga, a vida me acompanha e me arrasta. Não há mais pureza de espírito, tudo embaça aos meus olhos, queria aprender a me cuidar... A dor persiste, um desamparo sem nome que não me larga... Um pouco de paz...

Só, em frente aos dois caminhos. Só, sentada, fumando calmamente e olhando pro horizonte próximo e distante. A dor segue em mim. O que ser? O que seguir? O que manter e jogar fora? Peguntas; perguntas sem resposta. Por enquanto somente a dor a me envolver.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Agreste (ficção) cap 1


Capítulo 1

24 de abril de 2013

_ Deve haver alguma punição no inferno para o que você está fazendo agora... Buscando o silêncio de uma igreja para escrever suas obscenidades... Tem sorte de Deus não enviar um raio pra te fulminar nesse momento...

(Risos) _ Só estou esperando o museu abrir. Assim estarei mais a vontade para escrever. E em parte, Deus e sua moral são responsáveis pela minha escrita... Se não tivesse transformado a minha doce realidade em meras palavras, eu não estaria aqui...

Hoje o que me resta é escrever... Escrever para lembrar, relembrar para escrever, um círculo perpétuo... Pra manter um pouquinho do que você me criou... Não há passagens, fatos tão fortes como os nossos que não consigam deixar um rastro. E quanto a escrita foge, é do teu cheiro que lembro... É sempre na realidade que me agarro. É sempre a partir do que foi. Surpreso ficarás quando veres que a escrita mostra o que a realidade me fez... Surpreso por ver o quanto me atingiu... E o quanto me restou de ti. Às vezes, quase nada, às vezes muito, às vezes pouco. Mas sempre algo. Sempre uma tentativa de captar o ar, o cheiro, um desesperado intento de te guardar no papel...

Ah...! Se os anjos soubessem o que é o céu dos sentidos... Não se negariam a um gole desse entorpecimento divido...

Eu prefiro a dor do mundo e o céu das tuas cores quando fazemos sexo. Prefiro o teu jeito ao meu julgamento. Prefiro o fato à ideia, prefiro tua pele à escrita... Então por que hoje eu somente escrevo? Talvez para unir os dois num só. Talvez por comedimento meu. Que me condenou à moral do que é certo... Talvez minha queda ao seguir o Deus dos homens...

Ah! Porque o Deus de verdade não nos pode negar isso... O mundo foi feito para nós... Por nós... Aquele quarto é nosso, ainda... As noites insones, nossos corpos unidos em um prazer inimaginável... Nós... Teu olhar amoroso e cínico que me acompanha a cada gesto. Você e sua face dura de um jeito tão doce de ser... A vida rodando em meus sentidos, nós ali, enrolados naqueles sentimentos todos. Nós desencontrados.

"Eu sou o teu vaqueiro! Sou teu homem de verdade que te come!"

Eu sou a luz dos teus olhos... Sou a esperança de uma realidade melhor... Sou o seu abrir de sentidos...




(continua)

Agreste (ficção)


Prólogo

7 de fevereiro de 2013

Teus olhos formados de um castanho profundo como a noite... Teu olhar oblíquo porque cheio de nuances, nuances demais. Teu rosto talhado como se de madeira esperasse pelo entalhe. Duro, áspero, desconcertante. Tua face reveladora de segredos de outras faces. Que também são tuas. Teu cabelo fino cortado rente que passas entre tuas mãos acolhedoras. E contraditoriamente envolventes.

Tem algo se formando no espaço... E mistura cheiro de rosas com enxofre... Céu e inferno juntos num só lugar. Tem algo se formando no espaço entre nós... E mistura inocência e malícia de um jeito que só você pode fazer...

“Eu juro que te achava um anjo. Eu juro que havia encontrado o céu. Porém não quis ler teus sinais... Porém não quis ver que a tua face carrega outras faces. Mais uma vez cai ao ver que o mundo não é a extensão dos meus desejos... Mais uma vez, um anjo caído se apóia entre os meus braços. E me pede um abraço a mais. Cada vez mais fundo, cada vez mais preso, cada vez mais cego.”

“Desculpa, ta?” E um olhar doce escaneia todos os seus atos... “Tudo bem, relaxa cara”, a menina tenta responder, procurando não parecer nada além dela mesma. Mas nem mesmo a menina sabe, que há mais faces nela do que ela sequer concebia ver. Até aquele momento.

“Você é a mais sensata entre nós, garota, sem dúvida!”. Entre os anjos caídos, ela parecia a mais apta ao céu. Desde muito nova, já carregava um ar das coisas corretas e do que era o mais certo conceber e fazer. Era a “conselheira”, a sábia que levava alento aos corações desesperados do grupo... Aos corações encharcados de pecados... Sabia elevar os pensamentos e tirar do caminho sentimentos desconcertantes. Até aquela data. Em que sem ver entrou em um terreno que de luz passou a mostrar sombras e labirintos quebrados. Labirintos com cheiro de um perfume que embotava os sentidos.

“Conhece essas florezinhas? São lindas, porém muitos sensíveis ao toque, caem rápido... Lá em Campo Grande há florezinhas iguais a essa... Só que de muitas cores, havia amarelas, rosas, roxas, muitas cores mesmo sabe... Ai eu tive a ideia de fazer um buquezinho com todas as cores de florzinhas e levá-las pra Bel, minha namorada na época. Porém não deu muito certo...” Uma leve pontada despertou no meu peito: é, eu sei que o que é sensível demais se despetala. Escorre entre os dedos e cai...

Ele havia apostado tudo em um amor desesperado. Havia trocado de amores em busca de paz. E o que encontrou foi o caos, envolveu-se em sombras, em culpa marcada pelo afeto. Não aguentou o peso do céu. E caiu debilitado aos pés dela. Cheio dos seus próprios erros, cansado dos erros alheios, com um resto de raiva a consumi-lo, e louco pela desforra. E louco pra retomar o seu lugar entre os homens.

“Você está me enlaçando cara...” “Bem-vinda ao mundo da sacanagem...” E uma risada gostosa tomou conta do ar. Era a sua risada. Vinda da sua boca que sorria sereno pra mim e dizia “Não estou não, bonita”. Só me restava esperar. Porque você havia paralisado minha mente. Onde estava a sensatez? “Sabe, eu era uma pessoa íntegra!”, falava em torno de um sorriso. E os seus olhos brilharam antes de propagar uma risada ainda mais gostosa que todas as outras, enquanto eu me deliciava discretamente com o seu prazer... “Vai, continua!”. “Até que você veio, não sei de onde, completamente por acaso porque a gente nem poderia sequer se conhecer...” “E entrei na sua vida, na vida dela, na vida de vocês...” “E me produziu isso!” “Calma, não fica assim”... E me abraçava de um jeito manso, como se  a vida se resumisse a isso...

Nada havia acontecido... Porém acontecera tudo. Já havia traído. Já havia ultrapassado a linha, já havíamos entrado no caos.

Não volte atrás bichinho... Você já me enlaçou. Sou o gado que o sertanejo persegue por entre a caatinga cheia de espinhos. Sou o caminho enviesado do vaqueiro em busca de sua presa por entre os galhos do sequeiro. Você já me avistou, percorreu o agreste debaixo do sol, jogou a corda, me prendeu com um nó. Pra quê fugir agora?
  
“Sou muito boba né?” “É, você é boba... Vocês se parecem muito...” Tomou o ar sério da conversa. Ai era a hora de assumir uma das faces, a mais sensata: nós éramos muito amigos. Nos apoiamos sinceramente quando nosso mundo ruiu. A coincidência dos fatos nos fez viver um longo relacionamento, começar e terminar quase na mesma data, vivendo quase as mesmas dores, quase os mesmos medos, quase o mesmo céu e inferno. E o que começou de um jeito manso, passou a uma amizade que “me trouxe à luz de volta e me segurou quando eu caia”.

E repentinamente me envolveu em outras sombras, mais espessas, mais escuras, porém que traziam um ar tão forte...


“No puedo tomar café
Que el café me quita el sueño
Yo prefiero tomar té
Que tomando té me duermo

En la cama té tomé
Y tan dulce lo encontré
Que estaría toda la vida
Tomando té, tomando té, tomando té...”

Silêncio

Minha alma quer gritar mas não pode... Escondo de mim mesma meus desejos mais intensos e tênues do porvir... Como será gritar em silêncio? Chamar a atenção sem ser visto ou notado? Como será o exercício do ocultar-se entre as trevas mais ingênuas para despertar os gostos mais inusitados? Sinto falta do seu cheiro... Por isso escrevo. Para que no silêncio em que me encontro teu cheiro ganhe ares tais a ponto de ser capturado pela minha escrita.


Penumbra

Ó vós que vagais pela terra sombria
confiai! Porque, embora negra se estenda,
termina a floresta algures algum dia,
e o sol que se abre penetra sua tenda;
o sol que levanta, o sol que anoitece,
o dia que termina, o dia que começa;
Pois a leste e a oeste a floresta perece...

SdA - A sociedade do Anel.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Par ideal

Se eu fosse escrever um texto para um desses sites de relacionamento? Seria assim:

"O que eu quero é ter alguém que me mova e que me some, e que eu possa agregar coisas boas a essa pessoa. Nada de pesos desnecessários... Amor precisa ser leve, sem medo ou sem jogos. Quero uma pessoa sem medo de viver, curiosa, que goste de conhecer o outro, aos poucos, descobrindo suas virtudes e seus abismos, e aprendendo a lidar com eles. Alguém com quem eu possa contar em meus dias difíceis, pois com certeza essa pessoa poderá contar comigo. Antes de um namorado, quero sobretudo um amigo, que possa me ouvir de verdade, e que possa falar sem ressalvas; um amigo com quem eu possa ver meus filmes alternativos, visitar meus museus,  assistir minhas peças de teatro e conversar sobre qualquer coisa. E um homem que possa apresentar sua visão de mundo - com seus filmes, seus hábitos, suas músicas, seu jeito. Um ser apaixonado pela vida e observador nato: alguém que tope ambientes novos, sociável e gentil pra lidar com gente nova, interessado e animado pra conhecer vida nova e então viver experiências novas. Alguém feliz consigo mesmo, em paz com suas conquistas e fracassos. Que goste de viajar. Com um belo sorriso nos lábios e pouca coisa na mochila. Um ser que busque a luz de Deus mas não esqueça da própria luz: alguém que ame a si mesmo antes de me amar. Não precisa ser culto; porém não abro mão de um pouquinho de inteligência. Para poder argumentar sem medo da própria opinião. Alguém que curta os prazeres da vida, sem exageros; e alguém que curta bastante sexo - pode ser exageradamente rs. Não precisa ser bonito; precisa ser atraente: e isso se consegue com muito mais auto-confiança e boa-vontade do que com roupas novas e olhos azuis.Tenho leve queda por homens altos, com cara de homem e experiência mediana de vida. Como preferência, homens mais velhos que eu. Em quem eu possa me aninhar e aprender, mais do que ensinar algo. Se mais novos, não se esqueçam: não quero ser mãe, quero ser mulher; e não quero ser a comandante do relacionamento, quero ser feminina. E ser feminina é ser guiada pela mão. É não ter medo da entrega, é confiar. 1,56 de altura, 54 quilos, 68 de cintura, 94 de busto e 93 de quadril. Olhos negros. Mãos pequenas. Sorriso largo. Já estudei antropologia, já fiz teatro e já quis ser artista plástica. Hoje estudo literatura, faço parkour e ainda desenho e pinto de vez em quando. Se tens coragem, bem-vindo! Se não a tens, nem me procure."

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Manuel Bandeira...


Andorinha

Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia `a toa, `a toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida `a toa, `a toa... 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Facho de luz

Ainda sentia o gosto amargo do episódio de ontem... Talvez uma queda meramente química de ânimo, uma doença que ainda não havia diagnosticado da forma certa; talvez o acúmulo de tantas dores nos últimos dias - suficiente para derrubar os seres mais frágeis...

Havia uma flecha transpassada no seu peito. Que quanto mais mexia mais produzia dor, e doía sempre que respirava. Longa, de ponta afiada, a manchar de sangue tantas esperanças e sentimentos... Era tão belo, tão claro, tão acolhedor... De uma hora para outra ela se via caindo em um vão escuro: onde estavam as asas que a carregavam para o céu? De uma hora a outra os elogios se converteram em xingamentos, o orgulho em vergonha, o amor em raiva, a vida em morte: lhe arrancaram tudo de modo muito súbito, muito rápido, muito desesperador. "Você... Por que você?"

Porque ela não percebeu os seus sinais... O seu olhar era oblíquo sim... O seu sorriso não era só de prazer, mas também de dor... Anjo e demônio, assim como ela... As duas sombras se tocaram e acabou-se a luz. Extinguiu-se o ar. Desesperou-se a vida.

A angústia seguiu o dia inteiro, consumindo, espreitando, intoxicando os sorrisos... Como um vazio de alma.

Entretanto, contrariando todas as expectativas, ela saiu de casa e não se jogou ao caos: teve um dia longo, cheio de atividades que afastaram por um pequeno tempo suas dores. A vida começou a sair da escuridão e se mostrar... "Eu sou mais forte..." Mais forte que a dor, mais forte que o medo, mais forte que a morte que a vigiava: ela então sobreviveu.

E o que viu hoje, depois de um dia inteiro de provas, foi um pequenino porém constante despertar dos sentidos, como um discreto sopro de vida. A ousadia, a sensualidade da alma, a presença, a luz dos olhos... Onde estava tudo isso desde então...? Tudo que parecia ter sido dado de presente a ela e que se estava esvaindo...? E começou a descobrir finalmente o que precisava descobrir pra seguir de qualquer forma, de qualquer jeito: o brilho, o brilho vinha dela.

A alegria que a acompanhou no início do ano era dela, e somente dela. Ele havia despertado uma alma que não o pertencia... E então a ficha dourada caiu suavemente e fez um ligeiro tilintar no estômago: só dependia dela redespertar-se. E ninguém mais poderia fazer isso novamente...

E assim está ela, a buscar dentro de si um facho de luz independente de qualquer outro... e renascer, novamente, novamente, novamente...

A flecha ainda está lá... Mas começa a apagar-se, apagar-se, e apagar-se...


                          http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,15719352,00.jpg

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Morte

Hoje você quase me matou. Porém consegui enxergar a luz acima da sombra.

domingo, 14 de abril de 2013

Rede sob o sol

Sente?
O cheiro de paz...?
Está no ar, viu...

Tranquilidade

Eu até me contentaria com aquela casa simples do meio da rua, aquela não tão luxuosa quanto as outras, em que pudéssemos criar nossos filhos com amor e dignidade. Uma família tranquila, sem grandes necessidades nem aventuras, somente nós; talvez dois, um cachorro, um gato, e muito trabalho. Andando pelas ruas um dia  já andadas por nós, o que senti foi estranhamento: as lojas pelas quais passávamos, os prédios, aquela vila que quis entrar uma vez... Talvez com muito esforço e depois de alguns anos poderíamos comprar aquela casa da vila, tão bonita, e viver ali o resto dos dias na paz de Deus... A rua principal se apresentava a mim do mesmo jeito de sempre, indiferente e acolhedora ao mesmo tempo. Vejo as padarias em que fizemos lanche, mais por minha fome que pela sua, o Imperator em seu lugar imponente, as pessoas, os carros, as crianças: tudo parecendo no mesmo lugar. O mesmo lugar... E meu coração voltava a caminhar sozinho por aqueles lados, agora andando mais rápido por estar só...

O hábito... O passado que se erguia frente a mim assim tão plácido... A praça onde treinei tantas vezes... Os banquinhos em que sentávamos e víamos o vento passar... Não era fantástico, não era maravilhoso, não era tudo o que eu sempre quis, mas éramos nós: mas você estava ali. Com o seu ar melancólico de sempre, suas mesmas críticas, seu silêncio. Mas também com sua gentileza infinita e sua generosidade. Você, um homem  bom... Você que nunca levantou sua voz pra mim, levantava seu coração diante de qualquer problema. Ainda tento te ligar. Sem resposta. Volto pra casa, com a certeza de experimentar um pouco do ar doce e triste que sempre vi em seus olhos...

Ps.: Acho que não é ainda o desejo de um mundo novo... É pois somente a aceitação do que se foi...

sábado, 13 de abril de 2013

Espera

A paciência que me espreita é longa ou já se acabou?

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Confiança (o muro é o outro)

Ah! a confiança é um arraso de normas e atitudes desencontradas quando gostamos de alguém... Dar um nó cego na alma e se jogar a quem não conhecemos senão pelo lado de fora é algo digno dos fortes. Por isso as quedas são grandes e dignas de um calmante tomado antes de dormir.

Mas ai a pergunta que me faço, depois de tantos laços desatados e noites insones, é se realmente devemos nos preocupar tanto assim. Porque diferente de um muro em que nos jogamos e nós mesmos medimos o salto e somos responsáveis por ele, no caso do outro há sempre o outro como metade da história.  O outro que vamos conhecendo aos poucos e que nos vai mostrando a distância do muro a cada encontro, a cada palavra, a cada gesto. Só que ai já nos jogamos a ele antes de medir o tombo - e se a distância for grande demais? - e vamos vendo no meio do esforço físico do salto se caímos ou nos agarramos... É, é arriscar-se viu...

Mas será que vale tanto sofrimento? Se não alcançamos o muro caímos no vão, podemos nos machucar, quebrar algo: por isso o cálculo preciso antes de saltar. E a noção da própria responsabilidade. Porém, e se o muro é o outro? E se achamos que a distância é curta e durante o salto ela se mostra infinita? Muitas vezes é fácil, outras é tão difícil prever. E diferente das lesões físicas, os golpes na alma podem ser muito maiores e tardarem a sarar. Entretanto, sigo perguntando: será que vale tanto sofrimento?

Porque se não temos o tudo nas mãos - e nem se saltamos o muro real temos - o sofrimento para além da desilusão é desnecessário. Somos só uma parte do todo, somente uma parte da fé. Não há garantias; se não há como prever a queda, por que chorar pelo tombo? Se não há como prever a dor, por que se sentir culpado? Não está inteiramente nas nossas mãos; não vemos a distância do muro. É ter a mente alerta, a previsão cega e o coração pronto.

Mais belo e mais fácil - e mais coerente - é viajar livremente por entre esse mar de sentimentos nossos e alheios... É voar de forma esvoaçante por entre a distância do ponto ao muro... E se agarrarmos, tanto bom;  se cairmos, nossas asas não nos deixarão tocar o vão... E vamos seguindo, leves, em busca de outras distâncias, grandes, pequenas... Sem medo. Sem culpa. Sem a sensação de angústia que precede e que procede da dor. Sentindo vivamente a dor e a delícia de conhecer o outro.

Criemos asas! Pra voar e beijar umas flores por aí. E pra explorar certas distâncias, em busca de um muro que nos livre do chão. E nos faça subir.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

As salinas!

As salinas... Sonhos inefáveis de algo que passa, aos poucos, da realidade ao quase-sonho...Ah, as salinas...

Visões do paraíso terreno e das pinturas mais tenras à óleo com as cores azuis e brancas e verdes e o traço fluido...
As salinas dos meus olhos que passavam rápido por entre as janelas da alma, do ônibus, do dia que passava lento e calmo... Da manhã assustadiça... Dos desejos dos seus sentidos... As salinas sob o Sol...

                                http://joserosarioart.blogspot.com.br/2013/02/carlos-augusto.html

Eu, você, a visão do mar e do sal, as possibilidades de um futuro ameno e hoje distante...
O céu tão claro e plácido, suas mãos tão acolhedoras... Como seu olhar macio.
Hoje me lembro e suspiro: pelo mar, pelo Sol, pelo sal que brilha os sentidos, mas muito mais por ti...! E as salinas só foram belas... Porque também estavam em seus olhos...



Gratuidade

É engraçada minha capacidade de me doar completamente àquilo que não tem nome nem preço... Enquanto deixo intactos de minha dedicação outros objetos tão caros... Pergunto-me na verdade se o que gosto é de ver o suor doce dos meus atos escorrendo por entre a lama dos porcos; enquanto isso minhas pérolas de sabor tácito apodrecem em vão em meio a tantos fatos desencontrados.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Disciplina

Capacidade de crer na própria capacidade de ser capaz de ser forte.

Sempre achei que minhas conquistas fossem algo vindo do simplório destino. Nunca enxerguei minhas reais capacidades e nunca valorizei o meu real esforço em crescer. Por achar que o mundo poderia cair do céu, demorei em perceber que é o meu esforço que me move...

Disciplina: capacidade de crer na própria capacidade de ser capaz de ser forte.