"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Leveza

Porque é preciso leveza.

Pra encarar as coisas. Pra aguentar verdades. Pra mudar o jogo.
Pra construir novas realidades. Pra estabelecer certezas.
Pra reconhecer as dúvidas.

Preciso de leveza pra te ver de novo. Leveza pra recomeçar.
Leveza pra organizar o caos. E saber que o caos
Não deixa de sê-lo, mesmo organizado.

Preciso de leveza pra respirar. Pra me saber eu, em mim.
Completa, plena em minha incompletude.
Porém leve, em qualquer circunstância.
Em qualquer ocasião.
Leve, como a roupa de baixo que sempre usamos.

a leveza dos pés, que sempre firmes,
não deixam de tocam o chão,
por ser leves.

Porque preciso escrever

Agora entendo porque você tinha um blog...

A minha angústia só se vence com a escrita. Espero ter encontrado um modo certo de expurgar os meus demônios... É só porque a vida está ganhando um ar rançoso desde que os seus olhos sem brilho voltaram pra mim...

Se não quer, por que veio? Veio somar à soma dos meus dias um pouco mais de pó, veio me revelar nos seus pedidos súplicas de culpa em meio aos meus versos. Não sei o que pensar. Menos ainda agora... Menos ainda depois de ter um vislumbre do início, todas aquelas mensagens que

me fazem ver o quanto perdi... O quanto nos perdermos em sujeira e escuridão...
"O que mais me chamou a atenção foi a sua dedicação." Ainda guardo o seu texto, resquícios de algo que já se foi... Delicadamente, o mundo dá as suas voltas em torno do novo, não mais tão belo, olhar das coisas. E eu vejo você, eu me vejo e me sinto tão só, tão somente eu, faço projetos sem a sua presença, caio e me leva
nto sem a sua acolhida. Sinto a culpa em meus nervos, erros que não consigo consertar, erros que se adicionam a erros que se encostam em erros que se justificam em outros erros...Cansaço.

E ainda sim estou aí. Tento me justificar, remendar o que nem sei se tem remendo, tento aliviar os pesos nossos, tento ser diferente cantando a mesma nota... Tento. Não faço. Não sei se devo. Não sei o que devo. Não sei se quero afinal.





"Minha alma anseia o transbordar de sentimentos, aquele que produz a expressão suficiente para escrever meus textos. Faz muito tempo... Muitas horas desperdiçadas. Muitos desencontros em mim para os meus eus. Muito vazio desdobrado. E agora destruído, já que já é de conhecimento meu."

Talvez precise destruir para criar o novo. Esvaziar tudo... Até só restar o que presta. E a partir do vazio e da pouca luz, recriar o que já existe e que não se revela. A alvorada das coisas... Anseio a alvorada do novo...
E o novo com a sua presença. O voo que nos
dê enfim a liberdade de sentir...

Manuscrito achado num caderno

Para todos nós, a vida é um privilégio. Seja como for, o ar entra e sai de nossos pulmões nos transmite algo que tantos já tiveram, e que muitos ainda irão ter. Só que a hora é nossa agora. Somos nós os donos provisórios da história. Pois tudo passa. Tudo vai passar, até mesmo nossas conquistas mais sinceras. Somos pó adiado. Já somos mortos.

E somos a eternidade, o eterno presente que se soma à hora dos dias. O tudo e o nada.



Nessas linhas que te escrevo, tento pensar em mim mesma. Como alguém que se soma à soma dos dias de algum modo. Inconstante. Não mais tão jovem, não mais tão sã. Ou não mais tão equivocada? Saber a verdade... Algo que se mostra cada vez menos claro. De contornos cada vez menos delimitados. Mais fluida, entre os dedos da mão.

Ironia, não? Cada vez mais viva, cada vez menos iluminada... O confuso começa a se impor. Penso se ele é o comandante das coisas. Fidelidade à vida como, se o que eu tenho é uma mistura estranha e amorfa chamada consciência das coisas?

Transição. Dizem que é assim que acontece. Um momento e se abre um vão na antes banal disposição da vida. Um portal para outra dimensão? Um passo em falso para o abismo? A explicação das coisas? A eternidade? A infinita espera de quem não sabe o que esperar. O silêncio que precede algo. Nem que seja porra nenhuma. As paredes a dizer, a desdizer algo ainda incompreensível.

(Caminho, porque sei que não posso parar. Por hora, a única certeza. Não sei se vã, mas certa. Espero a luz do túnel, espero meus dedos a criar a luz.).

É bom voltar a escrever...

É como voltar a sentir uma parte de si viva.