Ele fazia da vida o seu palco; por isso o medo não transpassava seu olhar. Com o corpo talhado pelo seu trabalho e por horas extenuantes de treino, ele voava como se fosse leve o bastante; estarrecia as multidões com seus movimentos precisos e cheios de beleza. Era o acrobata. Corpo e mente juntos para um mesmo objetivo. Matéria e sublimação da matéria. Terra e ar, pó e vento. Força e leveza - inimagináveis juntas -trabalhando em direção a um único ser. A um movimento único, perfeito, expresso. Declarado.
Braços, pernas, movimento: força, suspiro, decisão, corrida e salto. Equilíbrio. Resistência, beleza, satisfação, palmas, gritos: sublime! Calma, volta, relaxamento e então de novo braços, pernas, movimento: um sem fim de realidades. E o corpo se multiplica em mil, em muitos, em infinito, a cada gesto, a cada deslocamento do corpo: Corpo arauto da alma, arauto da vontade.
E a mente se segura, áspera, branda, forte, delicada: vai seguindo a matéria. E o corpo se submete aos caprichos da mente, e da alma. E os traduzem no movimento, na ação.
É no desabrochar da energia do deslocamento que vemos, estupefatos e felizes, é que vemos a existência transmutada em ego, em pó, em vida.
E então aplaudimos.

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