"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

sábado, 22 de novembro de 2008

a gente faz o que pode

Finalmente resolvi escrever meu trabalho, desde ontem. Sei que não vai ficar tão cuidado como deveria, mas ao mesmo tempo já estou calejada pra pagar o preço.
Finalmente, escuto e compreendo as palavras do Paulo: "a gente não faz o que quer, mas sim o que pode." Tenho humildade, só hoje, pra entender isso. E agora me pergunto: por que não comecei antes? Por que essa covardia toda? Me pergunto e vejo que a resposta me foi dada na quinta-feira, depois daquela aventura quase impossível: que tensão existe e é normal, mas a perfeição que queremos buscar na vida é impossível. Não dá pra querer alcançar o mais-além que ainda não temos, nem nos esforçarmos quando não podemos. Atiro minha arrogância no lixo afinal.
Não começar por pura vaidade, orgulho. Não ter a humildade de abrir as primeiras páginas, de começar do começo. Calma. Apanho pra aprender. A não ser tão dura comigo. A valorizar o que tenho, em vez de tocar nas minhas feridas sempre que tenho chance. Reajo à própria dor que produzo em mim.

Aprender: que sou muito maior do que aquilo que me persegue.

Estranhamente tranquila, talvez porque consegui aprender o que a vida quer me ensinar...

No mais, não mais. Até.

doce ps: Vi Os irmãos Karamázov na livraria. Senti um orgulho de orientanda boba. Saudades do Paulo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

"...Sem o esforço da busca é impossível a alegria do encontro"


Era uma praia de um lugar qualquer. Era uma pedra quase intransponível, os raios do sol refletindo nos seus olhos, castanhos quase mel, o vento, a paisagem impagável, seus braços, abraços, o esforço heróico de escalar a pedra e seus descaminhos, meu cansaço, seu sorriso, a natureza a nos pagar anos de vazio.
Era o mar, o azul sem fim, refletido nos seus gestos, suave gesto de generosidade, infinito como o mar, como as montanhas, como o azul, como o dia...
Era o contato, com a terra, a pedra, o esforço, o gosto da conquista, lembranças, presente: futuros. Lições, micos que comem na sua mão, presentes lindos do dia, pequenos presentes de Deus; presente maior de ver o céu tão de perto. O céu tão de perto...

Sem o esforço da busca é impossível a alegria do encontro. Enquanto subia em busca de paisagens e promessas, enfrentava o medo, o cansaço, a vertigem da altura. Senti no corpo o que é avançar em busca de algo. E senti o que é pagar o preço por isso.

Há esforço na busca. Enfrentamos o medo da altura, a insegurança, o cansaço. Porém buscamos. Porque estamos e somos acima de tudo. Acima de tudo somos. E nos emocionamos quando vemos do que somos capazes. Parecia impossível? Fui lá e fiz.


...É, você sempre me mostrou o mundo. Hoje também me mostrou a mim.

domingo, 16 de novembro de 2008

mais vida, viver

Parece que já se tornou um hábito meu o de escrever sempre aos domingos, como se minha mente fosse até aqui naturalmente despejar minha semana...rs Está tudo bem, na medida do possível e do meu controle sobre as coisas. Estou a pensar o quanto as coisas nem sempre tem o nosso próprio controle, andam sem rumo por aí, talvez pra nos mostrar coisas que não enxergaríamos se tivéssemos tudo embaixo das nossas asas...

Eu aqui a falar coisas que fazem parecer este blog um livrinho de auto-ajuda... E não sou tão carente assim pra falar desse jeito.
Começo a ler A divina comédia. A parte do Inferno. É linda linda. Os versos lindamente construídos. Dante parece ourives escrevendo. Também estou lendo Macbeth. Outra obra-prima. Melhor que Hamlet, até agora...

No mais, não mais. Cansei de me obrigar a ter coragem. Acho que é coisa que não vem assim, não da forma que eu sempre quis que viesse. Estou é imersa em outras questões... Meio estagnada afinal. Pergunto-me quantas pessoas já passaram pelos meus mesmos dilemas, e o que fizeram com eles. Às vezes acho que minha vida é única demais pro meu gosto...

Tenho é que... Não, chega de "tenho que". Já cansei desse disco. Aliás, já cansei de cansar desse disco. Mais saboroso é agir que escrever. Faz melhor pra pele, pros sentidos. Dá mais vida, viver.

Ia me esquecendo, coisa boa: penso em criar um jeito novo de ensinar português. Seguindo um pouco das consignas literarias aprendidas ano passado. Talvez aproveitar meu trabalho apresentado na semana de pedagogia. Ver isso nas férias. Agradeço à Taissa. Lebrete: dar aula pra ela amanhã... rsrs. Bom lembrar disso, afinal...

É, é semana que segue, sem dó dos meus ossos cansados.

Ok, fico por aqui.

ps: falar dos meus amores, em outra oportunidade, quando estiver mais à vontade com eles. Ou menos.

domingo, 9 de novembro de 2008

Meus amores...

Canção

Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca;
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
Deixou ficar o sentido.

O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no teu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também...

Cecília Meireles

sábado, 8 de novembro de 2008

Coragem e tédio - humildade e ousadia

É preciso coragem necessária começar algo. Coragem que me falta no momento. Ando chutando latas por aí, sem perspectiva. Estranho pra quem estava tão animada. Mas é engraçado, meu ânimo se esvai no primeiro ensaio de prática. A velha idéia da auto-sabotagem como um fastasma a me atingir. Mudar no momento crítico. Naquela hora em que as coisas ainda permitem mudança. Não cair do salto, perder a pose, dar mole. Fácil quando ainda não se tem a prática. Tédio auto-destrutivo se apossa de mim. E eu escrevendo no blog.

Projetos novos: um livro do Detienne, emprestado - Os mestres da verdade na Grécia Arcaica - esperando uma fotocópia completa minha. Ainda não lido, talvez sirva pro trabalho da semana acadêmica. Ainda à espera dos dois livros do Paulo ( tá difícil da gente se encontrar ) e de volta com os textos de Literatura hispanoamericana - matéria optativa.

Coragem e tédio. Dois lados. Dois passos de uma mesma ação. Lembro-me de uma vez, um dos meus incançáveis e doces amores me disse que na vida é preciso ousadia suficiente. Completei: "mas também precisamos de humildade. Cada qualidade separada produz o caos". Ele concordou comigo. E concluímos juntos - num fim de tarde de uma rua calma, dentro de um shopping distante e agora nas minhas lembranças, tão onírico - que na vida, são necessárias as duas coisas, unidas, equilibradamente: humildade na medida certa, e ousadia na medida certa. Ousadia demais cria ditadores. Humildade demais, servos obedientes. E entre um beijo envolvente e otro, entendi o que aquele amor tão doce e esperado - e surpreendentemente efêmero - , queria me ensinar: que precisava equilibrar as duas coisas pra seguir em frente.

Ainda não sei o que me falta. Ou o que me sobra. Mas esse é meu sinal. Meu guia.
Obrigada, lindo menino de olhos castanhos e rasgados. De pequenos-lindos olhos e sorriso de índio... Sem querer me ensinou como começar a mudar as coisas.

sábado, 1 de novembro de 2008

um adendo

ah, não sei ainda quando vou abrir isso ao público. Talvez demore, talvez não.





( Deixa meus textos ficarem um pouco melhores... )

o que me dá trabalho

Escrever num blog dá trabalho. Nunca achei que fosse assim; espereva estar aqui todo dia e já faz quase uma semana que não escrevo. Talvez por auto-crítica demasiada. Talvez por esquecimento mesmo. O que me faz pensar o quanto evitamos aquilo que nos dá trabalho, mesmo que gostemos muito da coisa. E como nós somos mesquinhos em relação à isso, enfim.

Tenho novos projetos pra minha pesquisa. Um trabalho a ser apresentado; muito bom, estou feliz. Vai ser meu pontapé inicial para uma nova perspectiva. É, sei que isso vai dar bastante trabalho. Vai produzir muito mais cansaço do que já tenho agora. Mas tenho que estabelecer prioridades, e enfim, meu sono começa a não ser o mais importante nesse momento que entra rs...

Gostaria de escrever um pouco mais, faz tempo que não escrevo. Voltar a escrever nesse blog é voltar de uma Odisséia de uns três anos sem produzir nada suficientemente decente. Por isso estou paciente comigo mesma, as idéias vão voltando aos poucos, sem forçar, como da volta de um limbo estranho e ainda não explicado. É o sinal de um começo, espero. De um começo de coisas que dão realmente trabalho, mas que valem realmente à pena.

Bem, o resto vai indo bonito. Como os livros que espero ansiosamente das mãos do meu orientador de olhos verdes e sorriso moleque. Estranho um homem de quase 70 anos ter um sorriso de menino ainda, daqueles com trejeitos, como um moleque que faz travessuras, como o sorriso dos pícaros e malandros que ele mesmo estuda. Estranho e bonito. Dizem que a gente estuda o que tem a ver com nossa personalidade. Óbvil? É porque você não conhece o Paulo ainda. Se conhecesse, qualquer logicidade seria pequena pra entender o sentido do seu sorriso.

Depois dessa, não mais. Fico por aqui.

domingo, 26 de outubro de 2008

Meus olhos verdes preferidos

Falei com meu orientador. Encarei aqueles pequenos olhos verdes com a ameaça de ser a última vez. E não foi. Suas breves palavras foram de apoio. Seus olhos me olharam com uma certa dose de compreensão e compaixão; "Isso não é o fim do mundo. Tente o ano que vem...". Enfim, tirando a vergonha e o fracasso momentâneos, acho que correu tudo bem. Minha ironia e azedume diminuiram um pouco desde então...

Desde então tenho comprado mais coisas do que deveria. Um livro do Walter Benjamin, duas encomendas - Divina Comédia e Mimesis - tudo pra tentar dar uma ar novo aos meus estudos. Hum, isso deve somar uns 100 reais pelo menos. Adeus planos de juntar dinheiro... Patrimônio pesa, afinal. Estou decidida a tentar ano que vem, e dessa vez passar. E tenho um ano pela frente. Um ano pra pensar com maturidade no que escolher. Foi muito melhor, porque agora posso fazer um projeto que realmente me toca...

E assim o domingo passa, despretencioso, calmo, ensolarado...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Olá

Bem, resolvi criar esse blog primeiramente pra entender os motivos que me fizeram não passar no mestrado esse ano. São 15:44 da tarde, e não vou entregar nem a monografia nem o pré-projeto necessários para minha avaliação. Porque deixei que isso acontecesse, não sei. Na verdade sei mas sabe quando a gente precisa de tempo pra digerir certas coisas? Pois é. Perdi tempo, dinheiro, estou em risco de perder um orientador por conta de umas meras 15 páginas não concluídas. Enquanto escrevo, vejo e apago inúmeros e-mails de enojados encontros de lingüística e me pergunto - valha-me Deus! - porque não escolhi uma área tão mais fácil e tão mais verborrágica pra estudar. Sim, faço Letras e tive a maldição de me inclinar pra área menos vantajosa financeiramente: eu amo literatura.

Mais tarde, escrevo mais.