"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

terça-feira, 14 de julho de 2009

Até que ponto?

"...Dava também Geografia. O mundo crescia para mim. Tinha cinco partes. Era mais alguma cousa que o Santa Rosa e o colégio do Professor Maciel. Havia um certo encanto na virgindade da minha ignorância, ao tempo em que ia aos poucos sabendo de cousas que me pareciam absurdas. O Sol era maior do que a Terra. E a Terra era que andava em torno dele. As estrelas brilhavam também de dia. Os livros afirmavam essas verdades, mas acreditar nelas custava muito à minha compreensão limitada das coisas..."





Doidinho - José Lins do Rego


(Sinto-me como Doidinho, em um mundo que cada vez mais cresce, e me mostra o bem e o mal das coisas, o surpreendente e o absurdo delas... Quase desisto de tudo ao pensar como Raskólnikov, que a essa altura de minha leitura "já não tem mais para onde ir"... )




A vida é feita de inconstâncias... Aprendizados vagos, mas afinal esse mundo não presta ou as coisas é que partem do nosso próprio entendimento? Pergunta que me fiz hoje. Acordei com um gosto amargo na boa, gosto que me acompanha às vezes. Momento de crise, meus sonhos se chocam com o real. Até que ponto podemos acreditar no mundo? Até que ponto o mundo nos crê? Até que ponto posso seguir?
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