Eu até me contentaria com aquela casa simples do meio da rua, aquela não tão luxuosa quanto as outras, em que pudéssemos criar nossos filhos com amor e dignidade. Uma família tranquila, sem grandes necessidades nem aventuras, somente nós; talvez dois, um cachorro, um gato, e muito trabalho. Andando pelas ruas um dia já andadas por nós, o que senti foi estranhamento: as lojas pelas quais passávamos, os prédios, aquela vila que quis entrar uma vez... Talvez com muito esforço e depois de alguns anos poderíamos comprar aquela casa da vila, tão bonita, e viver ali o resto dos dias na paz de Deus... A rua principal se apresentava a mim do mesmo jeito de sempre, indiferente e acolhedora ao mesmo tempo. Vejo as padarias em que fizemos lanche, mais por minha fome que pela sua, o Imperator em seu lugar imponente, as pessoas, os carros, as crianças: tudo parecendo no mesmo lugar. O mesmo lugar... E meu coração voltava a caminhar sozinho por aqueles lados, agora andando mais rápido por estar só...
O hábito... O passado que se erguia frente a mim assim tão plácido... A praça onde treinei tantas vezes... Os banquinhos em que sentávamos e víamos o vento passar... Não era fantástico, não era maravilhoso, não era tudo o que eu sempre quis, mas éramos nós: mas você estava ali. Com o seu ar melancólico de sempre, suas mesmas críticas, seu silêncio. Mas também com sua gentileza infinita e sua generosidade. Você, um homem bom... Você que nunca levantou sua voz pra mim, levantava seu coração diante de qualquer problema. Ainda tento te ligar. Sem resposta. Volto pra casa, com a certeza de experimentar um pouco do ar doce e triste que sempre vi em seus olhos...
Ps.: Acho que não é ainda o desejo de um mundo novo... É pois somente a aceitação do que se foi...
domingo, 14 de abril de 2013
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