"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

...

Só um detalhe que estou percebendo: viver é estar exposto. Como não ter medo de se quebrar na exposição???

O que me traz mais medo

Como posso sentir?
É a primeira vez que falo abertamente do teu texto, meu amor. Nos últimos dias o li e reli procurando absorver cada palavra... Sei que você não é meu salvador, que pode me ajudar mas quem me salva sou sempre eu. O problema é saber como. Da mesma forma que você, é difícil pra mim começar... Aquilo que realmente me move, é exatamente o que traz mais medo. A escuridão se apossa de mim nesse momento. E então não consigo seguir, não consigo sentir, mesmo sabendo que sou capaz, que as coisas acontecem com o tempo, que posso cair hoje e levantar do mesmo jeito... Não sei o que me ocorre. Já alcancei tantas coisas, mas certas outras coisas ainda estão tão estagnadas. Busco um meio e penso, penso, mesmo sabendo que pensar não é a melhor coisa a fazer. Porque sei que pensar muitas vezes me paralisa...

Aos poucos, vou me abrindo sem medo. Sem medo do julgamento do mundo e da vida. Aos poucos, desde a nossa conversa do domingo, estou aprendendo a sentir. Dia após dia. Aprender a dar para a vida o que ela nos pede. Mas como saber o que ela nos pede? O que a vida quer de mim? Chego num ponto de tentar descobrir. Difícil mesmo é mudar, é mostrar suas fraquezas, é reconhecer fraquezas quando eu sei o quanto os outros já se afastaram por conta disso. Já perdi gente demais... Talvez por não dar? Será que foi isso que afastou os outros?

Sei que preciso ser forte. Pra mim, pra quem eu amo. Mas primeiro preciso ser forte pra mim mesma... Mergulhar na noite. Encarar seus fantasmas... Passar pelo meio deles, descobrir que são feitos de pó. E somente poeira de tempos remotos. Saber que somos nós que os alimentamos. Levantar da cadeira. Da inércia que me põe numa atitude confortável, mas longe de ser feliz... Quebrar preguiças, paradigmas, deixar-se e permitir-se até mesmo me quebrar inteira, pra ver o que afinal existe por baixo dessa casca, dessas mantas de proteção. Ver a maravilha do abismo. E aprender a voar antes de tocar o solo. Amar. Amar sem medo e permitir que meu olhar expresse isso. Olhos intensos... Da cor da vida...

E me mostrar inteira, e permitir que o outro me veja, e queira por isso seguir comigo. Não ter medo de mim mesma. E não me exigir demais. Somente me existir, ter a mim, completamente. Não a perfeição, mas a plenitude. O todo, contraditório, imperfeito, às vezes feio. Mas verdadeiro.

Preferir a verdade imperfeita que a mentira perfeita e lustrosa. Só se aprende vivendo e vendo que não é necessário o medo que paralisa. Somos todos muito iguais. Com falhas muito semelhantes. Não sou melhor ou pior do que ninguém. Somente mais alguém buscando a luz... Experiência. É só isso que quero da vida. E amor. Mas pra isso preciso dar o que a vida me pede. E assim ela transforma no que tanto quero. Sair da inércia. Da dor do medo. E viver...

É você meu amor, que me faz refletir sobre tudo isso... Que acredita em mim, tanto que chama atenção pros meus erros, porque sabe que posso vence-los... Saber que não é porque não conseguimos até o momento não significa que não podemos conseguir mais, que somos somente nós que podemos dar o primeiro passo, que a vida nos espera... E só descobrimos que somos capazes se fazemos, e sempre somos capazes se estamos dispostos a fazer.

:)

Hoje eu,
mesmo parando várias vezes pra respirar,
consegui finalmente nadar a piscina inteira. 2 vezes.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fragmentos de um mundo novo

É difícil me contentar com a vida sendo um processo, de coisas que muitas vezes passam aos poucos, como vou saber a hora de explodir e a hora de esperar? Na verdade acho que não há hora pra essas coisas, talvez devamos seguir o instinto antes de tudo. Escrever em prosa... O que a vida e a experiência me trouxeram o que antes era uma escritora de poesias... Mas se eu seguir o fato de que tudo é um processo posso concluir então que cada pequena coisa é essencial no crescimento da gente, da mesma forma como é ao contrário. E que a vida é construída um pouquinho por vez. Com alguns grandes saltos, mas que só existem porque possuem a força de cada dia construído.

O ar desse novo ano me renova. Tenho desafios novos, pessoas do meu lado. Pessoas realmente especiais. É estranho como a gente demora a perceber isso de alguns. Já outros vem sem pedir licença e nos invadem completamente s2. O amor constrói muito. É uma lei absoluta, imutável, eterna: o amor e a boa convivência fazem milagres. E fazem girar o mundo. Positivamente. Como algo que entra sem pedir em troca. Isso é o amor: um sentimento descompromissado. E ao mesmo tempo a essência do existir. Uma força simples, plácida. E incomensurável. É assim o amor e são assim os atos que realmente dão frutos. Precisam obrigatoriamente desse sentimento.

Saudade de gente. De coisas. De hábitos. Com o tempo vamos vendo o que nos faz bem. O que importa, interessa. Vida abençoada. De coisas, de oportunidades. Não entendo como muitos fogem dela. Vida. Que começa realmente a se abrir em mim. Em ações boas, recompensas mais que merecidas. O que ainda não veio não está no seu tempo. O que veio é muito bem-vindo. O que foi não fazia mais sentido continuar. Assim é. O tempo molda as coisas. É só saber o que nos move. E nos mover por isso.

Movimento. Por menor que seja, é algo do céu. Deve ser comemorado e bem-vindo. Como um nascer do sol. Como uma pequena ação que muda um minuto de nossas vidas. É tão importante como as grandes ações. Como os grandes acontecimentos. Que às vezes se iniciam com um toque. Um pequeno toque ou pensamento. Mas que precisa de força pra seguir.

Os saltos me lembram o parkour rs. Os sentimentos me lembram a vida. Ação, sentimento: o que me move nessa fase. O pensamento, só o estritamente necessário. É porque às vezes ele gela os ossos. E impede de andar.