Entrar no teu jogo neguinho, é saber que as coisas podem andar de um jeito diferente... Entrar no teu jogo é entrar no sempre e misterioso caos que envolve os teus olhos, é sentir o teu coração em mim e não enxergar mais que dor, mais que amor, mais que esses dois sentimentos juntos e convivendo de mãos dadas. É sentir a tua face, ora serena, ora perturbada nas tuas fotos. E aceitar a vida como é, como se mostra na sua cristalina imagem, como um espelho de tua alma. Você é puro. E perturbador porque puro. E tão em paz porque guarda em teu olhar tua completude sem palavras. Sem palavras alcançáveis de ti. São as palavras que perdem no teu domínio, e não o contrário. Porque você está além de qualquer palavra. Porque você encosta tua face na face do insondável. E traz dele aquilo que é mais simples. Você faz da complexidade do infinito a tua morada, caminha nela, se sente em casa. E tira do tão vasto o mais direto, o mais discreto, o levemente indiferente: a paz dos homens de boa vontade.
Mas a casa da tua alma são teus olhos...
Queria entrar no teu jogo... Ver o mundo através dos teus olhos. E assim, só ver a bondade do homem, só a beleza do homem. Queria me purificar. E voltar a ser criança, e voltar ao início de tudo, antes do fel, da cicatriz, da mágoa. Queria juntar o amor à dor e caminhar com eles, apaziguados, de mãos dadas feito irmãos. Sentir a simplicidade do infinito. E assim chegar mais perto de Deus.