"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Anos de aprendizado.

Que os anos de aprendizado comecem.

domingo, 16 de agosto de 2009

Carta de aprendizado


"Longa é a arte, breve a vida, difícil o juízo, fugaz a ocasião. Agir é fácil, difícil é pensar; incômodo é agir de acordo com o pensamento. Todo começo é claro, os umbrais são o lugar da esperança. O jovem se assombra, a impressão o determina, ele aprende brincando, o sério o surpreende. A imitação nos é inata, mas o que se deve imitar não é fácil de reconhecer. Raras as vezes em que se encontra o excelente, mais raro ainda apreciá-lo. Atraem-os a altura, não os degraus; com os olhos fixos no pico caminhamos de bom grado pela planície. Só uma parte da arte pode ser ensinada, e o artista a necessita por inteiro. Quem a conhece pela metade, engana-se sempre e fala muito; quem a possui por inteiro, só pode agir, fala pouco ou tardiamente. Aqueles não têm segredos nem força; seu ensinamento é como pão cozido, que tem sabor e sacia por um dia apenas; mas não se pode semear a farinha, e as sementes não devem ser moídas. As palavras são boas, mas não são o melhor. O melhor não se manifesta pelas palavras. O espírito, pelo qual agimos, é o que há de mais elevado. Só o espírito compreende e representa a ação. Ninguém sabe o que ele faz quando age com justiça; mas do injusto temos sempre consciência. Quem só atua por símbolos é um pedante, um hipócrita ou um embusteiro. Estes são numerosos e se sentem bem juntos. Sua verborragia afasta o discípulo, e sua pertinaz mediocridade inquieta os melhores. O ensinamento do verdadeiro artista abre o espírito, pois onde faltam as palavras, fala a ação. O verdadeiro discípulo aprende a desenvolver do conhecido o desconhecido e aproxima-se do mestre."

Johann Wolfgang Von Goethe

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sou nerd...(!?!)

Se alguém inicia uma conversa sobre o dematamento da mata Atlântica, e alternativas para resolvê-lo, vou ouvir com todo o interesse. Com sincero interesse. Se alguém me mostra a logística de uma empresa, vou querer saber como funciona o processo. Inteiramente Se uma pessoa começa a falar sobre o último filme que viu, vou estar interessada em ouvir a sinopse, as críticas e até a avaliação sobre a atuação de determinado ator. Isso sem nunca ter visto o filme.

Conheço um pouco de pintura, arte, história, música, bastante - mas não o que gostaria - de literatura, bem pouquinho de cinema, teatro, e ainda consigo montar minhas aulas no computador enquanto dou uma xeretada nos artigos novos de sites de educação. Tá, sei que às vezes não consigo ler ou ver o que gostaria porque não tenho tempo ou disciplina. Sei também que este texto pode parecer esnobe e pretencioso. Mas é assim que sou, sempre fui e às vezes é ruim me diminuir só pra não "ficar chato".

Meu autor preferido é Dostoiéviski. Minha banda favorita? Led Zeppelin. Ah, esqueci de dizer que tenho uns amigos que sempre me atualizam com bandas e cantores considerados assim, "alternativos". Ouço o que a maioria nem sabe que existe. E leio o que a grande maioria não lê. Dan Brown, O caçador de pipas, livros da Nova Fronteira? Leio Crime e castigo e A Divina Comédia. Luis Fernando Veríssimo? Gosto dele, mas prefiro Shakespeare.

Há algo de realmente errado comigo?

Falando sério, às vezes me sinto mal. Com tanta coisa que quero dizer e não consigo. Com tanta coisa que quero aprender e não tenho chance. Porque fulano e fulana não conhecem o mundo que eu conheço. Porque ficam me olhando com cara de "coisa esquisita" toda vez que vou comentar um filme que achei o máximo. Que só eu assisti. Bem, eu e a última meia dúzia de gatos pingados que ainda visita o cine art uff. Que ainda gosta de filme francês... (tá... confesso que acho alguns chatos... )

Sou curiosa pro mundo. E pro considero o legal do mundo. Tudo bem que muitas vezes escuto o que tá na moda e acho o máximo - e leio coisas fúteis. Mas se você me perguntar "qual a sua cantora favorita?" vou dizer com toda a naturalidade do mundo: "Janis Joplin", ou talvez "Elis Regina". Não vou falar Mariah Carey ou Rhianna (nem sei se é assim que se escreve). Fico boba com as pessoas. A maioria delas não tem mais aquela "curiosidade" pras coisas diferentes, mais profundas. Só ouvem o básico, o mais raso. Só leem o que está na moda, o best seller. São incapazes de procurarem naquelas prateleiras mais escondidas e empoeiradas da livrarias, aquelas que tem os clássicos (que são clássicos porque ninguém leu mas todos sabem falar sobre). A grande massa só conhece a parte dos "mais vendidos". E só. Mas é tão pouco! O mundo é muito grande. É muito além.

A curiosidade não passa só por livros, filmes, música. Aquela conversa sobre o desmatamento da Mata Atlântica por exemplo - que ocorreu de verdade e foi muito, muito legal - , poucas pessoas teriam real interesse nisso. E olha que eu fiz Letras, não Biologia. Mas o mundo está aí para ser explorado, não para ser visto de forma panorâmica, como muitos o fazem.

Quer ver um alguém me conquistar de verdade, pra amizade, namoro, etc? A pessoa não precisa ter lido Dostoiéviski. Mas quero alguém curioso pela vida, alguém aberto a coisas novas, não só sempre "a mesma baladinha de sábado". Alguém que mesmo sem nunca ter ouvido falar de Janis Joplin tenha interesse em ouvi-la. Pra saber como é. Ou ter interesse em saber o que acho da interpretação de determinado ator em determinado filme francês rs.

(Mas seria legal alguém que também tenha lido Crime e castigo, ah ia ser sim rs)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Festa


Atravesso as tuas frestas,
vejo e ignoro teus olhos
pedindo festa.
E agora, o que me resta?
Me embrenhar e me esconder em tuas arestas
Em teu jeito ácido, plácido de ver as coisas que passam, que
se embaçam no farfalhar dos teus gestos.
Da suavidade a que me presto.
Dos sentidos aos quais que me entrego com gosto,
Gosto do teu rosto
Do teu gozo oculto pela luz da penumbra que me arrasta.
Me entrego à tua entrega indecorosa
Ao teu sentido, teus sentidos que me sentem radiosa.
E assim passo, celebro a festa
Abro caminho entre o que resta
E me engano e amo e estabeleço
A luz que me contesta.