Calma, não se afobe,
que o dia urge, mas passa lento,
o vento das coisas vai tardar,
não se angustie com a falta de tempo...
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Cortinas abertas
Finalmente abro à público depois de muitos meses sem
escrita, e depois de alguns anos de hesitação...
E também como um modo de organizar meus pensamentos no
espaço, no tempo, tirá-los do vento em que estão espalhados... A vida vai
levando a gente até um momento em que não sabemos em que pousar... Tenho tanto
a dizer! Agora como mestranda, concursada, pessoa "séria", revejo os
primeiros posts e vou acompanhando as modificações de quem tomou algumas mãos
de vida. Anos de aprendizado...
Acho que não irão terminar nunca... O importante é não
perder o foco de buscar a pureza dos sentidos e do espírito em uma era de atribulações... A aprendizagem não cessa; a busca é eterna pela evolução e por
um pelo menos vislumbre do céu. Até porque, como diz Calvino:
"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é
aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos
estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a
maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de
deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem
contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é
inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."
E o que seria inferno pra mim? Toda a vida molemente
arrastada de alguns, e de mim em muitos momentos... Toda a maldade maior que a
maldade, que se chama impotência perante si próprio; toda a falta de horizonte
e de esperança.
Busco aqui um analista, um espelho perante meus passos...
Não vou apagar o que se foi, o que se foi também sou eu. O que escrevi ainda
reverbera pelo eterno... Seguindo a lógica, o que vou escrever também já é.
26 anos
26 anos...
Não sou mais adolescente, não faço mais parte da juventude debutante do
mundo... A idade começa a importar, o meu rosto não é mais o mesmo, as
responsabilidades gritam... O peso do mundo se põe ao meu lado, cada vez menos
sutil, cada vez menos suave...
Não perca os pequeninos de vista
(Publicado em:http://feminino.parkour.com.br/2012/07/nao-perca-os-pequeninos-de-vista.html,
9/07/2012)
Sabe, eu sigo seus passos. Vejo os seus vídeos. Acompanho seus
movimentos pra fazer igual. Você é o meu exemplo. Um dia, portanto, quero
talvez te olhar com mais naturalidade. Quem sabe tomar um café, falar até mesmo
de outras coisas que não sejam conquistas. Por exemplo, seu medos, fraquezas:
como tudo começou? Como foi sua evolução? Teve muito medo no início? Assim te
sinto mais próxima, mais humana...
Por isso eu peço: não me esnobe, por favor. Não me olhe de cima. Até
porque, por mais que eu te admire, eu não te acho melhor que eu. Porque eu sei
que a única coisa que me separa de você é o treino e a dedicação. Ninguém é
especial. Não olhe meus tríceps estourados e cansados como uma prova da minha
fraqueza. Para mim eles são tão fortes... São o meu orgulho. Mesmo que eu não
consiga planchar a 5 pés do chão.
Quero um dia dizer aos que estão começando: “conhece fulana? Já
treinei com ela, ela era realmente incrível.” Sabe, eu gosto tanto de ensinar
aos que estão começando, com todas as dificuldades possíveis... Eu já fui essas
pessoas. Seguindo a lógica, um dia poderei ser você. Então não se ache assim
tão especial. Os outros me fazem evoluir. Por isso treino com todos; a torcida,
as dicas me ajudam. Queria um dia receber isso de você. Como eu faço com os
outros. Eu não consigo evoluir sozinha. O outro também não. Você também não.
Ouso dizer que se você tivesse a (não) história de vida física que
eu tive, não chegaria a ser o que eu sou. Cada conquista minha é muito suada.
Cada flexão, cada muro conquistado é um privilégio enorme. Os meus próprios
movimentos me são os mais bonitos. Desculpe dizer, mas por mais que eu te
admire, para mim vale mais o meu muro de 2 metros que a sua precisão de 14 pés.
Para mim, qualquer coisa tem um ar muito mais belo. Bem, eu acho que consigo
ver tudo mais bonito; arrisco a dizer que o meu Parkour é mais feliz que o seu
=). O que você faz já com naturalidade me faz vibrar por dentro quando eu
consigo fazer.
Às vezes, não tenho tempo e/ou dinheiro para me dedicar mais. E às
vezes é preguiça mesmo. Mas não quer dizer que eu deseje menos que você. Você
não me conhece: quem sabe eu não evolui mais que você, do ponto onde eu
comecei? Sabe, se você tivesse o mesmo medo que eu, teria a mesma coragem para
enfrentá-lo? Nunca saberemos.
Ainda sobre a evolução: ela nunca é uma linha reta. E nunca é a
mesma linha para todos. As pessoas se esquecem disso. Que o que pode ser fácil
para mim é difícil para você, e vice-versa. E ainda assim, insistem em seguir piamente
os exemplos dos que estão lá na frente. Quem sabe a evolução da cada um não
trilhe caminhos diferentes e leve a lugares completamente novos? Então por que
querer repetir o mesmo movimento?
Pense. Aproxime-se. Eu gosto de você, da sua técnica, da sua
naturalidade em fazer o que eu ainda não me vejo fazendo. Queria um dia que
todas pudéssemos sentar juntas e falar sem mistérios sobre nossas forças e
fraquezas. Somos todos humanos, poxa. Saia um pouco do pedestal em que nós
mesmas te colocamos sem querer, e venha conversar conosco. Até porque, eu não
quero te bajular: só observo atentamente cada movimento seu para fazer também.
Para um dia ser como você.
Que venham a ti os pequeninos. Que você possa aprender com eles.
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