O dia de ontem:
Manhã-
Ainda guardo o seu perfume sob os anéis dos meus cabelos... O dia amanhece preguiçoso com seu sabor ainda em minha pele... Você parece que adivinha o que eu quero, você é mágico, sabia? Teus cabelos negros que caem sobre tuas costas, pescoço e lençol da cama... Negros que combinam com as marcas difusas do teu peito, das tuas coxas, do teu olhar...
Tarde-
Você tem os olhos azuis da cor do céu... E leveza de menino... Teu sabor é doce e dá mais vontade de ter mais... Você pede e eu acabo obedecendo... Tua simplicidade é suavemente transparente. Tua inocência vibra em teu sorriso bobo e teu olhar ligeiramente ácido. Cabelo fino que gosto de bagunçar. Pele cor de louça. Mãos com jeito de força.
Noite-
Somos dois perdidos e perdidos numa noite suja em busca de um pouco de acesso. Rasgando os últimos sorrisos atrás de aceitação alheia, de aceitação de nós próprios... Se ao menos nos juntássemos em dois sóis... Mas somos duas luas buscando o apego de outrem... Dentro da noite que passa devagar como o peso do chumbo arrastado. Estamos os dois um ao lado do outro. Porém estamos sós. Nós.


