"Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir"(...)
domingo, 15 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Será que consigo...
...Manter uma certa constância de textos que não vêm de lugar nenhum - e ao mesmo tempo vêm de mim - e talvez não avancem, talvez avancem, talvez parem onde estão, e postá-los sempre aqui? Vou tentar, como tudo na vida.
Para começar, "Conhecer-se é perigoso":
Sorrateiramente entregava os dedos na muralha da rua pra ver o outro lado. A vida permanecia estranha desde que se havia deixado só. Ao não ver nada além, entrou em casa e voltou ao quarto, velho quarto que o envolvia e o ninava como criança incurável que era. Fechou a porta. E entrou num mundo incomensurável, de portões estranhos que o arrastavam a alamedas estreitas que o instigavam a seguir em frente, sempre em busca de uma verdade insondável que não o perseguia, mas que porém o perseguia de qualquer modo. Angústia. "Intentativa" de agir de qualquer jeito, qualquer coisa, qualquer caminho para tirá-lo do inferno em que se encontrava, ali, inerte, agora deitado de costas no chão, prevendo o mundo que não via, entregue às inconstâncias de si próprio. Conhecer-se é perigoso...
Para começar, "Conhecer-se é perigoso":
Sorrateiramente entregava os dedos na muralha da rua pra ver o outro lado. A vida permanecia estranha desde que se havia deixado só. Ao não ver nada além, entrou em casa e voltou ao quarto, velho quarto que o envolvia e o ninava como criança incurável que era. Fechou a porta. E entrou num mundo incomensurável, de portões estranhos que o arrastavam a alamedas estreitas que o instigavam a seguir em frente, sempre em busca de uma verdade insondável que não o perseguia, mas que porém o perseguia de qualquer modo. Angústia. "Intentativa" de agir de qualquer jeito, qualquer coisa, qualquer caminho para tirá-lo do inferno em que se encontrava, ali, inerte, agora deitado de costas no chão, prevendo o mundo que não via, entregue às inconstâncias de si próprio. Conhecer-se é perigoso...
Estou de volta! (E sobre um certo cansaço...)
Estou de volta! É talvez a melhor notícia dessa última era de vida. Estar de volta é como a oportunidade de fazer tudo limpo de novo. E tudo pela imensidão de ter reconhecido minha pequenez. É, enfrentar faz parte. E agora caminho eu e meus defeitos, eu e minhas fraquezas. Preciso mantê-las ao meu lado, pra que não saiam do meu controle. Talvez uma chavinha grudada no meu peito, um bilhetinho que abra as portas do armário em que agora estão trancadas. São cuidadas e recordadas todos os dias. Regadas pra crescerem somente até aquilo que considero mais adequado. O início é mais difícil. Partes delas insistem em sair e tomar conta do meu quarto inteiro. Mas não há jeitinho que não se aprenda. Nem problema que não se resolva. Me aguardem bem. Porque agora tenho defeitos pra mostrar. (Mas ando com a calma dos conscientes, não se enganem. Com a serenidade daqueles que sabem que não podem cantar vitória antes do tempo. O caminho ainda nem existe, pois...)
Já com muita falta dos meus olhos verdes...
E sobre um certo cansaço...
Cansada de esperar. De ler manuais e gurus, à espera de um conselho ideal, que revele uma possível idealidade e caráter derradeiro das coisas. Cansada de sentimentos desgastantes, de me arrastar à custa de comunicações vazias, de esperar o que sei que nunca foi esperável. Cansada de atirar no escuro e crer e que somente isso é o mais certo. Cansada de tentar precisar o lógico. Que quando menos esperar estarei com ele comigo. Ou só. Tanto faz o quê. Conquanto que seja em paz.
"Só peço a Deus um pouco de calma. O resto sei buscar."
Já com muita falta dos meus olhos verdes...
E sobre um certo cansaço...
Cansada de esperar. De ler manuais e gurus, à espera de um conselho ideal, que revele uma possível idealidade e caráter derradeiro das coisas. Cansada de sentimentos desgastantes, de me arrastar à custa de comunicações vazias, de esperar o que sei que nunca foi esperável. Cansada de atirar no escuro e crer e que somente isso é o mais certo. Cansada de tentar precisar o lógico. Que quando menos esperar estarei com ele comigo. Ou só. Tanto faz o quê. Conquanto que seja em paz.
"Só peço a Deus um pouco de calma. O resto sei buscar."
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Carta de aprendizado

"Longa é a arte, breve a vida, difícil o juízo, fugaz a ocasião. Agir é fácil, difícil é pensar; incômodo é agir de acordo com o pensamento. Todo começo é claro, os umbrais são o lugar da esperança. O jovem se assombra, a impressão o determina, ele aprende brincando, o sério o surpreende. A imitação nos é inata, mas o que se deve imitar não é fácil de reconhecer. Raras as vezes em que se encontra o excelente, mais raro ainda apreciá-lo. Atraem-os a altura, não os degraus; com os olhos fixos no pico caminhamos de bom grado pela planície. Só uma parte da arte pode ser ensinada, e o artista a necessita por inteiro. Quem a conhece pela metade, engana-se sempre e fala muito; quem a possui por inteiro, só pode agir, fala pouco ou tardiamente. Aqueles não têm segredos nem força; seu ensinamento é como pão cozido, que tem sabor e sacia por um dia apenas; mas não se pode semear a farinha, e as sementes não devem ser moídas. As palavras são boas, mas não são o melhor. O melhor não se manifesta pelas palavras. O espírito, pelo qual agimos, é o que há de mais elevado. Só o espírito compreende e representa a ação. Ninguém sabe o que ele faz quando age com justiça; mas do injusto temos sempre consciência. Quem só atua por símbolos é um pedante, um hipócrita ou um embusteiro. Estes são numerosos e se sentem bem juntos. Sua verborragia afasta o discípulo, e sua pertinaz mediocridade inquieta os melhores. O ensinamento do verdadeiro artista abre o espírito, pois onde faltam as palavras, fala a ação. O verdadeiro discípulo aprende a desenvolver do conhecido o desconhecido e aproxima-se do mestre."
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Sou nerd...(!?!)
Se alguém inicia uma conversa sobre o dematamento da mata Atlântica, e alternativas para resolvê-lo, vou ouvir com todo o interesse. Com sincero interesse. Se alguém me mostra a logística de uma empresa, vou querer saber como funciona o processo. Inteiramente Se uma pessoa começa a falar sobre o último filme que viu, vou estar interessada em ouvir a sinopse, as críticas e até a avaliação sobre a atuação de determinado ator. Isso sem nunca ter visto o filme.
Conheço um pouco de pintura, arte, história, música, bastante - mas não o que gostaria - de literatura, bem pouquinho de cinema, teatro, e ainda consigo montar minhas aulas no computador enquanto dou uma xeretada nos artigos novos de sites de educação. Tá, sei que às vezes não consigo ler ou ver o que gostaria porque não tenho tempo ou disciplina. Sei também que este texto pode parecer esnobe e pretencioso. Mas é assim que sou, sempre fui e às vezes é ruim me diminuir só pra não "ficar chato".
Meu autor preferido é Dostoiéviski. Minha banda favorita? Led Zeppelin. Ah, esqueci de dizer que tenho uns amigos que sempre me atualizam com bandas e cantores considerados assim, "alternativos". Ouço o que a maioria nem sabe que existe. E leio o que a grande maioria não lê. Dan Brown, O caçador de pipas, livros da Nova Fronteira? Leio Crime e castigo e A Divina Comédia. Luis Fernando Veríssimo? Gosto dele, mas prefiro Shakespeare.
Há algo de realmente errado comigo?
Falando sério, às vezes me sinto mal. Com tanta coisa que quero dizer e não consigo. Com tanta coisa que quero aprender e não tenho chance. Porque fulano e fulana não conhecem o mundo que eu conheço. Porque ficam me olhando com cara de "coisa esquisita" toda vez que vou comentar um filme que achei o máximo. Que só eu assisti. Bem, eu e a última meia dúzia de gatos pingados que ainda visita o cine art uff. Que ainda gosta de filme francês... (tá... confesso que acho alguns chatos... )
Sou curiosa pro mundo. E pro considero o legal do mundo. Tudo bem que muitas vezes escuto o que tá na moda e acho o máximo - e leio coisas fúteis. Mas se você me perguntar "qual a sua cantora favorita?" vou dizer com toda a naturalidade do mundo: "Janis Joplin", ou talvez "Elis Regina". Não vou falar Mariah Carey ou Rhianna (nem sei se é assim que se escreve). Fico boba com as pessoas. A maioria delas não tem mais aquela "curiosidade" pras coisas diferentes, mais profundas. Só ouvem o básico, o mais raso. Só leem o que está na moda, o best seller. São incapazes de procurarem naquelas prateleiras mais escondidas e empoeiradas da livrarias, aquelas que tem os clássicos (que são clássicos porque ninguém leu mas todos sabem falar sobre). A grande massa só conhece a parte dos "mais vendidos". E só. Mas é tão pouco! O mundo é muito grande. É muito além.
A curiosidade não passa só por livros, filmes, música. Aquela conversa sobre o desmatamento da Mata Atlântica por exemplo - que ocorreu de verdade e foi muito, muito legal - , poucas pessoas teriam real interesse nisso. E olha que eu fiz Letras, não Biologia. Mas o mundo está aí para ser explorado, não para ser visto de forma panorâmica, como muitos o fazem.
Quer ver um alguém me conquistar de verdade, pra amizade, namoro, etc? A pessoa não precisa ter lido Dostoiéviski. Mas quero alguém curioso pela vida, alguém aberto a coisas novas, não só sempre "a mesma baladinha de sábado". Alguém que mesmo sem nunca ter ouvido falar de Janis Joplin tenha interesse em ouvi-la. Pra saber como é. Ou ter interesse em saber o que acho da interpretação de determinado ator em determinado filme francês rs.
(Mas seria legal alguém que também tenha lido Crime e castigo, ah ia ser sim rs)
Conheço um pouco de pintura, arte, história, música, bastante - mas não o que gostaria - de literatura, bem pouquinho de cinema, teatro, e ainda consigo montar minhas aulas no computador enquanto dou uma xeretada nos artigos novos de sites de educação. Tá, sei que às vezes não consigo ler ou ver o que gostaria porque não tenho tempo ou disciplina. Sei também que este texto pode parecer esnobe e pretencioso. Mas é assim que sou, sempre fui e às vezes é ruim me diminuir só pra não "ficar chato".
Meu autor preferido é Dostoiéviski. Minha banda favorita? Led Zeppelin. Ah, esqueci de dizer que tenho uns amigos que sempre me atualizam com bandas e cantores considerados assim, "alternativos". Ouço o que a maioria nem sabe que existe. E leio o que a grande maioria não lê. Dan Brown, O caçador de pipas, livros da Nova Fronteira? Leio Crime e castigo e A Divina Comédia. Luis Fernando Veríssimo? Gosto dele, mas prefiro Shakespeare.
Há algo de realmente errado comigo?
Falando sério, às vezes me sinto mal. Com tanta coisa que quero dizer e não consigo. Com tanta coisa que quero aprender e não tenho chance. Porque fulano e fulana não conhecem o mundo que eu conheço. Porque ficam me olhando com cara de "coisa esquisita" toda vez que vou comentar um filme que achei o máximo. Que só eu assisti. Bem, eu e a última meia dúzia de gatos pingados que ainda visita o cine art uff. Que ainda gosta de filme francês... (tá... confesso que acho alguns chatos... )
Sou curiosa pro mundo. E pro considero o legal do mundo. Tudo bem que muitas vezes escuto o que tá na moda e acho o máximo - e leio coisas fúteis. Mas se você me perguntar "qual a sua cantora favorita?" vou dizer com toda a naturalidade do mundo: "Janis Joplin", ou talvez "Elis Regina". Não vou falar Mariah Carey ou Rhianna (nem sei se é assim que se escreve). Fico boba com as pessoas. A maioria delas não tem mais aquela "curiosidade" pras coisas diferentes, mais profundas. Só ouvem o básico, o mais raso. Só leem o que está na moda, o best seller. São incapazes de procurarem naquelas prateleiras mais escondidas e empoeiradas da livrarias, aquelas que tem os clássicos (que são clássicos porque ninguém leu mas todos sabem falar sobre). A grande massa só conhece a parte dos "mais vendidos". E só. Mas é tão pouco! O mundo é muito grande. É muito além.
A curiosidade não passa só por livros, filmes, música. Aquela conversa sobre o desmatamento da Mata Atlântica por exemplo - que ocorreu de verdade e foi muito, muito legal - , poucas pessoas teriam real interesse nisso. E olha que eu fiz Letras, não Biologia. Mas o mundo está aí para ser explorado, não para ser visto de forma panorâmica, como muitos o fazem.
Quer ver um alguém me conquistar de verdade, pra amizade, namoro, etc? A pessoa não precisa ter lido Dostoiéviski. Mas quero alguém curioso pela vida, alguém aberto a coisas novas, não só sempre "a mesma baladinha de sábado". Alguém que mesmo sem nunca ter ouvido falar de Janis Joplin tenha interesse em ouvi-la. Pra saber como é. Ou ter interesse em saber o que acho da interpretação de determinado ator em determinado filme francês rs.
(Mas seria legal alguém que também tenha lido Crime e castigo, ah ia ser sim rs)
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Festa

Atravesso as tuas frestas,
vejo e ignoro teus olhos
pedindo festa.
E agora, o que me resta?
Me embrenhar e me esconder em tuas arestas
Em teu jeito ácido, plácido de ver as coisas que passam, que
se embaçam no farfalhar dos teus gestos.
Da suavidade a que me presto.
Dos sentidos aos quais que me entrego com gosto,
Gosto do teu rosto
Do teu gozo oculto pela luz da penumbra que me arrasta.
Me entrego à tua entrega indecorosa
Ao teu sentido, teus sentidos que me sentem radiosa.
E assim passo, celebro a festa
Abro caminho entre o que resta
E me engano e amo e estabeleço
A luz que me contesta.
vejo e ignoro teus olhos
pedindo festa.
E agora, o que me resta?
Me embrenhar e me esconder em tuas arestas
Em teu jeito ácido, plácido de ver as coisas que passam, que
se embaçam no farfalhar dos teus gestos.
Da suavidade a que me presto.
Dos sentidos aos quais que me entrego com gosto,
Gosto do teu rosto
Do teu gozo oculto pela luz da penumbra que me arrasta.
Me entrego à tua entrega indecorosa
Ao teu sentido, teus sentidos que me sentem radiosa.
E assim passo, celebro a festa
Abro caminho entre o que resta
E me engano e amo e estabeleço
A luz que me contesta.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Até que ponto?
"...Dava também Geografia. O mundo crescia para mim. Tinha cinco partes. Era mais alguma cousa que o Santa Rosa e o colégio do Professor Maciel. Havia um certo encanto na virgindade da minha ignorância, ao tempo em que ia aos poucos sabendo de cousas que me pareciam absurdas. O Sol era maior do que a Terra. E a Terra era que andava em torno dele. As estrelas brilhavam também de dia. Os livros afirmavam essas verdades, mas acreditar nelas custava muito à minha compreensão limitada das coisas..."
Doidinho - José Lins do Rego
(Sinto-me como Doidinho, em um mundo que cada vez mais cresce, e me mostra o bem e o mal das coisas, o surpreendente e o absurdo delas... Quase desisto de tudo ao pensar como Raskólnikov, que a essa altura de minha leitura "já não tem mais para onde ir"... )
A vida é feita de inconstâncias... Aprendizados vagos, mas afinal esse mundo não presta ou as coisas é que partem do nosso próprio entendimento? Pergunta que me fiz hoje. Acordei com um gosto amargo na boa, gosto que me acompanha às vezes. Momento de crise, meus sonhos se chocam com o real. Até que ponto podemos acreditar no mundo? Até que ponto o mundo nos crê? Até que ponto posso seguir?
...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Admirável...
Um burguês pode adquirir méritos e desenvolver seu espírito a não mais poder, mas sua personalidade se perde, apresente-se ele como quiser (...) Não lhe cabe perguntar: 'Que es tu?' e sim Que tens tu? Que juízo, que conhecimento, que aptidão, que fortuna?' (...) ele deve desenvolver suas diversas faculdades para torna-se útil, e já se presume que não há em sua natureza nenhuma harmonia, nem poderia haver, porque ele, para se fazer útil de um determinado modo, deve descuidar de todo o resto.
Goethe
Trabalho em um dos maiores cursos de línguas do país como professora de espanhol. Enfrento cobranças que não correspondem comigo mesma. Mas continuo por conta de um intuito instintivo, da manutenção de um emprego que tantos sonham, mas que poucos conseguem.
Agradeço a primeira oportunidade, a primeira assinatura da carteira. Também o aprendizado das aulas. Não muito mais do que isso. Porque se algo foi reponsável pelo meu endurecimento, pela minha desesperança, foram eles sem dúvida. Sinto saudades do tempo em que muitas coisas eram possíveis. Hoje elas são só imagináveis. Ter que conviver com a hipocrisia diária, sentir-se parte de uma engrenagem que valoriza mais a quantidade que a qualidade, saber-se injustiçado, abrigar-se dos últimos sonhos como válvula de escape, sentir, imaginar, prever, ter e não ter razão nesse meio: pois sou somente uma "técnica de ensino".
Trabalho por horas-aula, não recebo por enforcamentos de feriados, não recebo passagens quando substituo, não tenho escolha muitas vezes. Andar por aqueles corredores me faz sentir-me vigiada Sufocada numa complexa rede que calcula friamente todos os meus passos, e todos os meus erros. E isso não é pessoal. Vejo colegas já cansados, desmotivados, presos nessa máquina que despersonaliza a todos, que como no texto de Goethe, faz com que sejamos úteis o bastante para não sermos nada. Não interessa o que somos, o esforço que fazemos, mas os resultados pífios que obtemos. Mesmo à custa daquilo que não é certo. Mesmo à custa de alunos que passam sem poder, que se rematriculam nessa corrida insana e irracional.
Sou marxista. Não de ações, pois preciso pagar minhas contas. Sou marxista de idéias. E minhas idéias entram em choque com o real. Entrelaço-me sem querer. Visto a camisa de um mundo que não é meu. De uma realidade que vai de encontro aos meus valores. À minha vida desde então.
Saber-se assim e ainda amar aqueles que movem essa engrenagem. Meus alunos, minhas razões de vida. É somente assim que continuo. Que enfrento o mundo com suas mais superáveis previsões. Com seus mais loucos anseios. Anseios que nunca são meus de verdade. Mas repito que preciso pagar minhas contas e meus sonhos. Admirável mundo novo: já morto antes de crescer...
E sinto saudades de tudo.
Goethe
Trabalho em um dos maiores cursos de línguas do país como professora de espanhol. Enfrento cobranças que não correspondem comigo mesma. Mas continuo por conta de um intuito instintivo, da manutenção de um emprego que tantos sonham, mas que poucos conseguem.
Agradeço a primeira oportunidade, a primeira assinatura da carteira. Também o aprendizado das aulas. Não muito mais do que isso. Porque se algo foi reponsável pelo meu endurecimento, pela minha desesperança, foram eles sem dúvida. Sinto saudades do tempo em que muitas coisas eram possíveis. Hoje elas são só imagináveis. Ter que conviver com a hipocrisia diária, sentir-se parte de uma engrenagem que valoriza mais a quantidade que a qualidade, saber-se injustiçado, abrigar-se dos últimos sonhos como válvula de escape, sentir, imaginar, prever, ter e não ter razão nesse meio: pois sou somente uma "técnica de ensino".
Trabalho por horas-aula, não recebo por enforcamentos de feriados, não recebo passagens quando substituo, não tenho escolha muitas vezes. Andar por aqueles corredores me faz sentir-me vigiada Sufocada numa complexa rede que calcula friamente todos os meus passos, e todos os meus erros. E isso não é pessoal. Vejo colegas já cansados, desmotivados, presos nessa máquina que despersonaliza a todos, que como no texto de Goethe, faz com que sejamos úteis o bastante para não sermos nada. Não interessa o que somos, o esforço que fazemos, mas os resultados pífios que obtemos. Mesmo à custa daquilo que não é certo. Mesmo à custa de alunos que passam sem poder, que se rematriculam nessa corrida insana e irracional.
Sou marxista. Não de ações, pois preciso pagar minhas contas. Sou marxista de idéias. E minhas idéias entram em choque com o real. Entrelaço-me sem querer. Visto a camisa de um mundo que não é meu. De uma realidade que vai de encontro aos meus valores. À minha vida desde então.
Saber-se assim e ainda amar aqueles que movem essa engrenagem. Meus alunos, minhas razões de vida. É somente assim que continuo. Que enfrento o mundo com suas mais superáveis previsões. Com seus mais loucos anseios. Anseios que nunca são meus de verdade. Mas repito que preciso pagar minhas contas e meus sonhos. Admirável mundo novo: já morto antes de crescer...
E sinto saudades de tudo.
domingo, 14 de junho de 2009
Beautiful day...
Só pra deixar meu dia mais bonito:
http://www.youtube.com/watch?v=venRVMOm7HY
(ps: ainda não sei colocar o video diretamente aqui... rsrs)
http://www.youtube.com/watch?v=venRVMOm7HY
(ps: ainda não sei colocar o video diretamente aqui... rsrs)
Fora isso, o teatro vai bem...
(É. Eu sei que ando me entregando ao que não devia. Mas não pude fugir de certas oportunidades... Aos poucos aprendo a prever o que vai nos dar dor de cabeça ou não se aceitarmos. E o que vale a queda. A dor. Algo que vem da alma somente... Estreito meus braços contra mim mesma neste domingo. E ainda sigo com sua sombra a me deixar, tristemente.)
Fora isso, tudo acumulado. Domingo começa a ser um dia em que deixo tudo pra fazer, ao mesmo tempo em que é um dia em que não quero fazer nada... Complicado assim. Lembro que Paulo sempre me disse que "a gente faz o que pode". E que ao mesmo tempo "somos maiores que o destino ou menores que a própria humanidade" mas o que se deve seguir? Tento ser maior que o tempo parco que me resta. E estou aqui no computador em vez de ler o que devia. Paradoxo... Começar a montar planos reais, deixar de lenga-lenga e palavras vazias. Bem, é aquilo que digo a mais de 6 meses aqui. Mas agora não há mais tempo pra postergar nada.
O teatro vai bem. Pela primeira vez fizemos um ensaio realmente bom. Esteve tudo mais leve e mais bonito. Espero que saia... E espero que saia bem, espero que terminemos bem esta história de mais de dois anos... Muita saudade dos primeiros tempos.
Dos tempos em que nossas aulas eram na áurea e discretamente abandonada biblioteca pública de Niterói. Dos tempos em que a rua N. Senhora da Conceição parecia nossa, que o mundo parecia um pouquinho nosso. Começávamos a aprender a controlar emoções, ao mesmo tempo que tudo parecia começava a parecer a flor da pele. Por conta disso, a vida passava a ter um sentido mais sensível e mais detalhado. Víamos o detalhe. Do sentimento. Da expressão. Do gesto contido. Começar a prever o outro. Eu ainda apaixonada, vivendo o amor da sua forma mais pura. Os outros ainda tão jovens, tão puros também. Tempos bons. Pietro, Mônica, Leonardo, Tatiana, Mariana, Raquel, Suelen. Saudades. Dos lanches de esquina, das trufas de sobremesa, do ar novo, das aulas da uff logo depois, da tarde que ia, que terminava calma, com gosto de energia cumprida. Praticada nos gestos e na nossa alma. Nas palavras que ficavam. Nas palavras que ficavam por serem ditas. Nos sorrisos, nas amizades, na vida em si. Na capacidade de se respirar um ar livre, único. Novo. Vida que desabrochava em vida. Dentro de um palco que desabrochava em nós. Saudades Fábio. Obrigada. Pelo pedacinho de história tão bonito.
Mientras tanto, espero mais novidades pela frente...
Fora isso, tudo acumulado. Domingo começa a ser um dia em que deixo tudo pra fazer, ao mesmo tempo em que é um dia em que não quero fazer nada... Complicado assim. Lembro que Paulo sempre me disse que "a gente faz o que pode". E que ao mesmo tempo "somos maiores que o destino ou menores que a própria humanidade" mas o que se deve seguir? Tento ser maior que o tempo parco que me resta. E estou aqui no computador em vez de ler o que devia. Paradoxo... Começar a montar planos reais, deixar de lenga-lenga e palavras vazias. Bem, é aquilo que digo a mais de 6 meses aqui. Mas agora não há mais tempo pra postergar nada.
O teatro vai bem. Pela primeira vez fizemos um ensaio realmente bom. Esteve tudo mais leve e mais bonito. Espero que saia... E espero que saia bem, espero que terminemos bem esta história de mais de dois anos... Muita saudade dos primeiros tempos.
Dos tempos em que nossas aulas eram na áurea e discretamente abandonada biblioteca pública de Niterói. Dos tempos em que a rua N. Senhora da Conceição parecia nossa, que o mundo parecia um pouquinho nosso. Começávamos a aprender a controlar emoções, ao mesmo tempo que tudo parecia começava a parecer a flor da pele. Por conta disso, a vida passava a ter um sentido mais sensível e mais detalhado. Víamos o detalhe. Do sentimento. Da expressão. Do gesto contido. Começar a prever o outro. Eu ainda apaixonada, vivendo o amor da sua forma mais pura. Os outros ainda tão jovens, tão puros também. Tempos bons. Pietro, Mônica, Leonardo, Tatiana, Mariana, Raquel, Suelen. Saudades. Dos lanches de esquina, das trufas de sobremesa, do ar novo, das aulas da uff logo depois, da tarde que ia, que terminava calma, com gosto de energia cumprida. Praticada nos gestos e na nossa alma. Nas palavras que ficavam. Nas palavras que ficavam por serem ditas. Nos sorrisos, nas amizades, na vida em si. Na capacidade de se respirar um ar livre, único. Novo. Vida que desabrochava em vida. Dentro de um palco que desabrochava em nós. Saudades Fábio. Obrigada. Pelo pedacinho de história tão bonito.
Mientras tanto, espero mais novidades pela frente...
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Não sou eu quem me navega... ou Os anos de aprendizado

Mais leve, volto a escrever... Pensamentos estão mais leves, meu corpo mais leve - definitivamente - e minha vida está mais focada, pra mim, pro mundo. O pânico passou. Não quero que ele volte agora. Tenho projetos demais pra serem atrapalhados.
Nada é definitivo nessa vida. Estranho como o tempo passa e vai redefinindo nossos caminhos. Estabelecemos planos, mas até a página 2. Traçamos metas, mas não caminhamos como gostaríamos. Somos levados pelo mar? Ou é minha inexperiência em viver?
Ainda não escrevo como gostaria hehe... Ainda estou caminhando devagar nessa empreitada. Talvez me falte um pouco falar menos de mim puramente e mais dos fatos que me rodeiam... Talvez me falte começar...
Falando em começar, primeiro o comentário da mudança do nome do blog: há coisas mais além que um futuro mestrado rs... E depois de ler o livro de Goethe - Os anos de aprendizado de Wihelm Meister - me vi na imensa possibilidade de escrever sobre o romance de formação e fazer dele meu projeto de mestrado. É um ramo do romance que tem como tema principal a evolução e desenvolvimento de um homem - um personagem, que se torna um ser para além de si mesmo, que se forma no mundo,o mundo o enforma: esse romance capta o processo de formação do homem, um homem que passa a ser o objeto principal da narrativa, um ser em eterno movimento rumo a sua própria evolução. E tudo à sua volta caminha com ele. "A unidade dinâmica da imagem da personagem", segundo Bakhtin. É isso que estou tentando fazer aqui, escrevendo sobre mim e sobre o mundo. Buscando uma imagem de mim. Uma imagem que não cessa, que segue passando como miragem em meus olhos; e que tento captar, digitando essas palavras...
É... Fora isso tudo bem... Muito bem por sinal... :) Começo a enxergar definições em meu turbilhão de vida. Certas coisas relativas ao trabalho, aos amigos, aos estudos, às emoções. Hoje tenho mais base. Pra enfrentar os descaminhos. E pra me definir de encontro aos outros. E ao encontro daqueles que querem bem. Que os anos de aprendizado possam seguir.
Nada é definitivo nessa vida. Estranho como o tempo passa e vai redefinindo nossos caminhos. Estabelecemos planos, mas até a página 2. Traçamos metas, mas não caminhamos como gostaríamos. Somos levados pelo mar? Ou é minha inexperiência em viver?
Ainda não escrevo como gostaria hehe... Ainda estou caminhando devagar nessa empreitada. Talvez me falte um pouco falar menos de mim puramente e mais dos fatos que me rodeiam... Talvez me falte começar...
Falando em começar, primeiro o comentário da mudança do nome do blog: há coisas mais além que um futuro mestrado rs... E depois de ler o livro de Goethe - Os anos de aprendizado de Wihelm Meister - me vi na imensa possibilidade de escrever sobre o romance de formação e fazer dele meu projeto de mestrado. É um ramo do romance que tem como tema principal a evolução e desenvolvimento de um homem - um personagem, que se torna um ser para além de si mesmo, que se forma no mundo,o mundo o enforma: esse romance capta o processo de formação do homem, um homem que passa a ser o objeto principal da narrativa, um ser em eterno movimento rumo a sua própria evolução. E tudo à sua volta caminha com ele. "A unidade dinâmica da imagem da personagem", segundo Bakhtin. É isso que estou tentando fazer aqui, escrevendo sobre mim e sobre o mundo. Buscando uma imagem de mim. Uma imagem que não cessa, que segue passando como miragem em meus olhos; e que tento captar, digitando essas palavras...
É... Fora isso tudo bem... Muito bem por sinal... :) Começo a enxergar definições em meu turbilhão de vida. Certas coisas relativas ao trabalho, aos amigos, aos estudos, às emoções. Hoje tenho mais base. Pra enfrentar os descaminhos. E pra me definir de encontro aos outros. E ao encontro daqueles que querem bem. Que os anos de aprendizado possam seguir.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
...
No meio de uma leve crise de pânico, tentando ficar no controle da situação em que me encontro, resolvi escrever. Instalada entre a agudez do meu sentimento e a esperança de dias melhores, espero, e talvez a escrita seja um alívio. No mais vou buscando. Meus dias seguem com beleza e dor, simultaneamente. A ansiedade me toma sempre, a ansiedade me toma nesse momento... Mas continuo seguindo. Desistir nem posso mais. Só tenho a escolha de ir em frente... Sempre caminhando, sem descanso... Só quem sente sabe o que é a sensação de ter seus nervos esmagados e ainda estar vivo. Tudo por conta dos estudos que não consigo seguir. Um simples trabalho me paraliza. Simples leituras. A paralizia dos meus nervos me alucina. Meus trabalhos, meus textos se acumulam. Faculdade. Estudos. O sonho de um projeto. O obstáculo de uma dor que me acompanha desde sempre. Covardia. Medo. Desespero. Dor, dor e dor é o única coisa que enxergo quando passo por isso. Tentativa de concentração. Frustada. Escondo-me no meio desse turbilhão. Como uma criança com medo - tem alguém aí pra me ajudar? Minha respiração fica curta, os nós dos nervos dos meus braços doem, doem. Tento estabelecer meu contato com a vida, estou muito longe de mim. Longe... Calma, o perigo vai passar, vai passar...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Pagu
É. Esse é o tempo de mudanças. Há uns dias atrás, quando vi partes de um filme sobre Pagu - não lembro o nome nem o ano, mas é um filme famoso sobre ela - me veio a vontade de voltar a escrever. Como quando fazia com regularidade, há uns anos atrás. Porque o filme era todo entremeado por pensamentos da própria protagonista, e assim fiquei com vontade de fazer o mesmo, pra poder reencontrar fios de meada perdidos...
A vontade de "voltar a si" nunca esteve tão forte em mim. Porque nesses tempos loucos, a única coisa que me resta sou eu mesma, e se não estiver em mim nada mais vai estar. Por isso escrevo. Por isso tantos escrevem, na busca de si mesmos... Mesmo com um texto que sei que poderia ser bem melhor - falta de prática, espero! - volto aos poucos com a certeza de estar começando um caminho bem mais bonito. O que quero é transcender. Não para sair de mim, mas pelo contrário, reencontrar-me.
Acabei de escrever minha "confissão". Coisas que se fazem depois do fim de um relacionamento complicado. Agora sim as coisas estão claras. E agora sim começo a ver o que me falta, o que na época nos faltava. Não sei se envio ou não. Até que ponto minhas conclusões sobre o nosso fim são somente minhas ou também pertencem a ele? Enfim. Isso vou decidir com o tempo. O tempo que começa a me ser tão precioso.
Um a infecção e uma febre me obrigaram a desacelerar. Foi bom pra pensar sobre muitas coisas - vida, ele, eu, trabalho, estudo. Alguns pensamentos bem pessimistas. Outros mais utópicos. Que levaram a conclusões reveladoras. Começo a realmente enxergar uns pontos: que não sou totalmente culpada por tudo, que nem tudo é assim tão dramático, e mesmo sendo, no fundo não é assim tão preocupante. Que nossa raiva só vai tornar o mundo um pouco mais chato. Caminho cada vez mais leve. E a entrega, que tanto me custa, se define em contornos mais nítidos. Depois do nosso fim. E o que me faltou foi segurança! E entrega... E um pouco mais de amor...
Minha escrita ainda está bem torta. É que são mais confissões do que propriamente poesia. Primeiro preciso me desafogar. Quando estiver realmente mais vazia de tudo, acho que a literatura pode começar a surgir em mim. Até a próxima...
(E te amo, viu? Muito mesmo.)
A vontade de "voltar a si" nunca esteve tão forte em mim. Porque nesses tempos loucos, a única coisa que me resta sou eu mesma, e se não estiver em mim nada mais vai estar. Por isso escrevo. Por isso tantos escrevem, na busca de si mesmos... Mesmo com um texto que sei que poderia ser bem melhor - falta de prática, espero! - volto aos poucos com a certeza de estar começando um caminho bem mais bonito. O que quero é transcender. Não para sair de mim, mas pelo contrário, reencontrar-me.
Acabei de escrever minha "confissão". Coisas que se fazem depois do fim de um relacionamento complicado. Agora sim as coisas estão claras. E agora sim começo a ver o que me falta, o que na época nos faltava. Não sei se envio ou não. Até que ponto minhas conclusões sobre o nosso fim são somente minhas ou também pertencem a ele? Enfim. Isso vou decidir com o tempo. O tempo que começa a me ser tão precioso.
Um a infecção e uma febre me obrigaram a desacelerar. Foi bom pra pensar sobre muitas coisas - vida, ele, eu, trabalho, estudo. Alguns pensamentos bem pessimistas. Outros mais utópicos. Que levaram a conclusões reveladoras. Começo a realmente enxergar uns pontos: que não sou totalmente culpada por tudo, que nem tudo é assim tão dramático, e mesmo sendo, no fundo não é assim tão preocupante. Que nossa raiva só vai tornar o mundo um pouco mais chato. Caminho cada vez mais leve. E a entrega, que tanto me custa, se define em contornos mais nítidos. Depois do nosso fim. E o que me faltou foi segurança! E entrega... E um pouco mais de amor...
Minha escrita ainda está bem torta. É que são mais confissões do que propriamente poesia. Primeiro preciso me desafogar. Quando estiver realmente mais vazia de tudo, acho que a literatura pode começar a surgir em mim. Até a próxima...
(E te amo, viu? Muito mesmo.)
domingo, 19 de abril de 2009
é tempo de...
Bem, ao estabeler um blog a gente no mínimo "acha" que ele deve ser atualizado periodicamente... No meu caso, deixei meus textos pra depois, depois desses meses exaustivos. Da última vez que escrevi ainda estava no início de tudo. Hoje o início passou e começam as primeiras dificuldades, junto com os primeiros progressos.
Muita coisa mudou... Ilusões e desilusões se unem num momento difuso da vida, aquele que não sabemos ao certo se vemos trevas ou luz... Estranhamento. É o que sinto às vezes. Comecei esse texto no dia 19 de abril de 2009, data do meu aniversário de 23 anos. Tempo de refletir a vida, as coisas que se passam, etc, etc. Estabeleci novas certezas e novas dúvidas: a certeza de que definitivamente cresci - pra onde?- e medo de endurecer de vez... Um pouco de desilusão é o que me persegue. Do mundo, de mim mesma, da vida. Nunca tudo se mostrou tão limitado e concreto. Como eu mesma. Saudades de tudo...
Saudades de você, revelador do mundo. Tudo me sufoca e tento sobreviver sozinha. Crise após crise, acho que sobrevivo. Depois faço meu balanço do todo. Um pouco de amor, não faz mal a ninguém, nem mesmo o que vem da gente. Sigo esperando e agindo. A união das duas vai fazer a minha força? Não sei, só sei que preciso agir mais que esperar. E saber esperar o que de ser esperado. Não fui programada pra vida. Alguém foi? Será que alguém se dá melhor na vida do que eu? Será que para os outros é mais fácil? Talvez menos perigoso pra uns. Ou mais intenso pra outros, enfim...
Desfaço e faço, desato e recomeço. A vida é longa, dizem uns. Pra mim agora, com 23 anos, começo a achar que é curta demais. Talvez seja somente o bastante. O suficiente pra construir alguma coisa. Deixar-se ser, apreender o que se deve, crescer...
Enfim, e o mestrado? As matérias vão bem, na medida do possível. Peguei avulsas, pra me decidir... Agora preciso me organizar melhor. Vontade não falta, como nunca faltou; agora o problema é de organização... Mais tarde descrevo mais sobre isso.
Por agora, me faltam teus olhos doces... Busco-os, quando preciso me inspirar pra vida.
Muita coisa mudou... Ilusões e desilusões se unem num momento difuso da vida, aquele que não sabemos ao certo se vemos trevas ou luz... Estranhamento. É o que sinto às vezes. Comecei esse texto no dia 19 de abril de 2009, data do meu aniversário de 23 anos. Tempo de refletir a vida, as coisas que se passam, etc, etc. Estabeleci novas certezas e novas dúvidas: a certeza de que definitivamente cresci - pra onde?- e medo de endurecer de vez... Um pouco de desilusão é o que me persegue. Do mundo, de mim mesma, da vida. Nunca tudo se mostrou tão limitado e concreto. Como eu mesma. Saudades de tudo...
Saudades de você, revelador do mundo. Tudo me sufoca e tento sobreviver sozinha. Crise após crise, acho que sobrevivo. Depois faço meu balanço do todo. Um pouco de amor, não faz mal a ninguém, nem mesmo o que vem da gente. Sigo esperando e agindo. A união das duas vai fazer a minha força? Não sei, só sei que preciso agir mais que esperar. E saber esperar o que de ser esperado. Não fui programada pra vida. Alguém foi? Será que alguém se dá melhor na vida do que eu? Será que para os outros é mais fácil? Talvez menos perigoso pra uns. Ou mais intenso pra outros, enfim...
Desfaço e faço, desato e recomeço. A vida é longa, dizem uns. Pra mim agora, com 23 anos, começo a achar que é curta demais. Talvez seja somente o bastante. O suficiente pra construir alguma coisa. Deixar-se ser, apreender o que se deve, crescer...
Enfim, e o mestrado? As matérias vão bem, na medida do possível. Peguei avulsas, pra me decidir... Agora preciso me organizar melhor. Vontade não falta, como nunca faltou; agora o problema é de organização... Mais tarde descrevo mais sobre isso.
Por agora, me faltam teus olhos doces... Busco-os, quando preciso me inspirar pra vida.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Essa é a lei...

Há quanto tempo não escrevo? Escrever faz com que eu fique mais próxima de mim. Escrever portanto acaba virando uma necessidade imensa nesses dias corridos. Porque nesses dias a pessoa em que menos penso sou eu, preocupada demais com os meus alunos, que são minhas razões de vida. Trabalho, estudo, a mente sempre voltada na recepção do outro, tanto que me esqueço da minha recepção com relação à minha própria vida. Até que ponto será que estou satisfeita? Até que ponto estamos? Será que nunca saberemos o que nos aguarda para além do infinito? Para além do interminável e sempre alimentado futuro? Penso e realmente não alcanço. Não quer dizer que eu não sinta, claramente. Claramente sinto e abarco a vida inteira... Os nossos pequenos projetinhos, os nossos sonhos megalomaníacos, são todos formados pela mesma essência etéria que nos forma e nos transforma. E é ela que me toma inteira, neste momento. E ela que nos permite enxergar pra além do que podemos concluir – existe conclusão pra algo nesse mundo? Caminhar, caminhar sem descanso... sei que a estrada é a eternidade, e a energia que carrego é prova disso. Talvez a medida certa não seja pra onde, onde pretendemos chegar – porque no fundo não chegamos, caminhamos sempre. A medida é saber como, e esse modo irá nos acompanhar pro resto. Da existência inteira e eterna.
“Nascer, morrer, renascer, evoluir sempre. Essa é a lei”
domingo, 18 de janeiro de 2009
Dinheiro, dinheiro... e outros temas
É, parece que minha bolsa não vai sair por conta de míseros 7.000 reais, pelo menos... E fico a sonhar com Pamplona com a tristeza e a paz necessárias pra enfrentar uma possível desilusão... Já que pra se ter dinheiro nessa vida é preciso ter mais dinheiro ainda, vou aos poucos concluindo quais as possibilidades da vida e resolvo entrar na dança do vil metal.Será que alguém me empregaria aí, por uns 1.500 por mês? rs... Faço qualquer coisa que não arranhe meus pouquíssimos princípios. Isso tudo porque faço o que gosto. Imagina se não fizesse...
O sonho acabou e foi substituído por uma realidade dessas implacáveis que nos aparecem. Só tenho medo de endurecer demais, como todos os outros...
No mais, vivo de sonhos, sonhos que se apresentam como uma tarde de verão. Tarde morna e constante. Até quando, não sou capaz de saber. Perco o controle quando quero alcançar o futuro das coisas. Melhor ficar como ele sempre diz, "não se controla a vida"? Ou trazer tudo à tona e deixar que tudo me conforte como num sonho ruim? Escolhas. Difíceis afinal. Passado e futuro se misturam num presente etério, e tento enxergar todos os contornos disso. Ainda são amorfos, como o que vivo.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
De tudo um pouco...
Faz tempo que não escrevo... Depois de um trabalho acadêmico não revisto, de um mês de dezembro estressante, de um final de ano esperado e muito comemorado, de um Reveillon tranquilo e cheio de possibilidades, aqui estou. Esse fim de etapa foi longo, estabelecido aos poucos, e confesso que tive um pouco de medo de saber que o próximo ano - este agora - é somente meu e depende somente dos meus atos. Ligeiramente assustador. Pergunto-me se tive a preparação necessária pra enfrentá-lo. Os anos passam e pela primeira vez pude ter uma noção mais madura disso. 22 anos... Não me sinto mais com toda a vida pela frente. Exigências, responsabilidades me chamam. Desafios me prendem à vida. E o tempo é cada vez mais curto... Já não tenho a mesma cara que tinha antes; vejo meus amigos e eles também começam a envelhecer, por dentro, por fora... Os singelos sonhos me abandonam, pouso meus pés no chão, suavemente, e sinto que o mundo se abre com sua realidade, dura e consoladora no final das contas.
O peso que tinha? Tento dosá-lo afinal. Peso demais me impede de andar. É bom de vez em quando estar mais leve. Só o tempo vai me ensinar isso. A experiência passa a ter um lugar importante na minha vida. Errar os mesmos erros já produz maiores estragos que antes. Os passos não podem mais ser feitos sem consciência. Pensar é essencial.
Não sinto saudade do ontem. O hoje é mais aberto, incrivelmente. O real é mais solto. O mundo mais vasto. A vida mais viva.Enfim, sou eu voltando a escrever.
É. É vida que começa.
O peso que tinha? Tento dosá-lo afinal. Peso demais me impede de andar. É bom de vez em quando estar mais leve. Só o tempo vai me ensinar isso. A experiência passa a ter um lugar importante na minha vida. Errar os mesmos erros já produz maiores estragos que antes. Os passos não podem mais ser feitos sem consciência. Pensar é essencial.
Não sinto saudade do ontem. O hoje é mais aberto, incrivelmente. O real é mais solto. O mundo mais vasto. A vida mais viva.Enfim, sou eu voltando a escrever.
É. É vida que começa.
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