Vagarosamente tiro as roupas e fico nua diante do espelho... Com um certo pudor, com uma certa vergonha. Olho nos olhos primeiro antes de olhar o resto do corpo... Meu corpo. Tão frágil, tão forte. Tão passageiro quanto real, palpável, presente. Está ali, diante da minha face, me mostrando o que é: sem máscaras, medo, orgulho ou vaidade. Somente um corpo necessitando de cuidado. E de repente me vem um amor sabe? Observo cada parte do meu corpo com aquele carinho que os pais tem com
os filhos: mesmo corruptível, meu corpo é algo que foi
feito pra eu cuidar.
Olho meu corpo no espelho e fico pensando o quanto já fiz a ele: de bom, de ruim...Meu corpo gostou do Parkour, foi se modelando aos poucos em cada treino. Hoje já não é o que era, porém está ainda num processo pra ser... Detalho o olhar em cada parte diferente; em cada parte nova; em cada parte a ser trabalhada. Meu corpo... Olho pra ele não com desejo ou lascívia, antes com inocente curiosidade: de que forma será que ele sente? Como será que ele pensa? Que vontades ele esconde? Que vontades ele esconde de sua alma... E de repente sinto pena... Muita pena traduzida em afeto... Pena de um corpo que nunca soube direito pra que veio, que sempre se enlaçou em outros corpos sem entender a profundidade das coisas... Que nunca se viu como veículo e porta de entrada de sua própria alma, de acesso ao seu próprio ser...
E então eu vejo. E entendo: o quanto de cuidado lhe é necessário. Embora indomável, de vontade própria, aceso e impaciente, meu corpo é sim digno pra eu cuidar. Sim, também é uma parte sagrada minha: aquilo que me entra, me invade, me envenena ou me alenta entra pelo corpo. Sendo pois a morada do meus tesouros, é também em si precioso.
Sentindo meu corpo como parte minha, realmente minha, o enxergo diferente: mais que belo, lindíssimo. Mais que adequado, perfeito. E ao mesmo tempo tão comum - o mais natural que se pode ser. Porém que guarda o mais essencial que se pode conceber. E sinto um amor incomensurável por ele, uma candura tão grande e uma vontade tão grande de abraçá-lo e enlaçá-lo em mim que o meu desejo se converte em guardá-lo a sete chaves... Como um bem único, intransferível. E assim esperar - sem pressa, sem angústia, sem nem fazer ideia de quem nem quando - assim esperar... Na penumbra dos dias e na sombra das roupas, por aquele que irá desnudá-lo, assim suave, trêmulo e inseguro, no princípio, e fazer eternidade com a passagem das horas...
"Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os meus amores"
Levantemo-nos
de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os
meus amores.
Cânticos 7:12
Levantemo-nos
de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os
meus amores.
Cânticos 7:12
Levantemo-nos
de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os
meus amores.
Cânticos 7:12
Levantemo-nos
de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os
meus amores.
Cânticos 7:12
Levantemo-nos
de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os
meus amores.
Cânticos 7: