"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

quinta-feira, 6 de março de 2014

"Ser ou não ser: eis a questão"

Foi numa peça de teatro de Cássio Scapin que ouvi a frase, reverberada em um teatro do CCBB de Belo Horizonte. Dentro do contexto de uma história que narrava uma vida inteira - a vida da consagrada atriz Myrian Muniz - , a frase soou primeiramente estranha aos meus ouvidos: aquela estranheza que sentimos quando o familiar é levado a outros caminhos, ganha outros sentidos. E de repente o teatro inteiro levantou-se a repetir a frase, num momento lúdico e ao mesmo tempo profundo, denso. "Ser ou não ser, eis a questão". Repetir essa frase palavra - por - palavra... Com os olhos fechados... Minha mente acordou de um susto... E comecei a pensar em meus atos.




SER
OU
NÃO
SER?

... Pintar, correr, escrever, ler, dar aulas, perceber, dormir, acordar... O que define o ser...? O pensar, o agir? O quanto de agir que define o "ser"? Ser ou não ser... Pergunta que me faço todos os dias ao acordar. Sem perceber. Sem sequer crer que meus atos me dão existência. E todos os dias escolho ser ou não ser afinal. Todos escolhem.

É estritamente necessário então escolher. É fazer pra ver. É a essência que precisa sair. Pra se manter e não se desmanchar. Pra Ser.

Um comentário:

Tatiana Maria disse...

Uma escolha de todos os dias de colocar a cabeça no travesseiro sabendo que não se enganou. =]