Eu comecei tudo te amando. Dando o amor que estava em mim de forma descompromissada. E assim você foi se abrindo, como uma rosa, e me amou também. Se não fosse pela minha atitude inicial de amor, nada teria acontecido. E com o tempo, fui dando meu amor, oferecendo-o a partir do brilho dos meus olhos, dos meus ouvidos, da minha atenção. Sei que ainda estou aprendendo. Mas já sei o que não é o certo.
O certo não é oferecer com o intuito de receber. O certo não é produzir um relacionamento baseado na dependência do outro. As pessoas podem ser opostas, porém são complementos: uma ajuda a outra a evoluir. Podemos muitas vezes precisar do outro num momento de dificuldade ou como uma ajuda no nosso longo caminho vida afora. Mas isso não significa que devamos depender do outro. Apagar-se em nome do outro. Agir como se o outro devesse assumir nosso emocional. Isso só destrói coisas belas...
Às vezes não sabemos o por quê. Mas nos apagamos, deixamos de brilhar e de ser inteiros... Aí nos apoiamos de forma doentia em quem nos ama, e o desgastamos. E nos desgastamos. Precisamos estar inteiros, com o brilho nos olhos para podermos dá-lo ao outro. Somente assim o amor flui. Acontece. Passa a ser natural, íntegro. Não uma exigência, uma obrigação imposta. Mas algo que surge no peito, na alma da gente, na maior paz possível.
É daí que vem a nossa paz. É dessa energia que flui, que surge e que nos arrebata. A plenitude que vem de um ato que nós mesmos provocamos.

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