"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

domingo, 11 de abril de 2010

Si vis amaria, ama

É uma frase de Sêneca que significa: "se quiser ser amado, ama". Penso nessa frase e no texto que acabei de ler como um aprendizado para a minha vida. Para me sentir amada, necessito amar. Errado é aquele que espera o amor do outro, pedindo algo em troca, ou que dá esperando recompensa e somente a recompensa do ato. Estes perdem a mágica mais maravilhosa da vida, que é o oferecer... O oferecer como um fim em si mesmo, o dar tendo como fim o próprio ato, a própria ação infinita de oferecer amor.

Eu comecei tudo te amando. Dando o amor que estava em mim de forma descompromissada. E assim você foi se abrindo, como uma rosa, e me amou também. Se não fosse pela minha atitude inicial de amor, nada teria acontecido. E com o tempo, fui dando meu amor, oferecendo-o a partir do brilho dos meus olhos, dos meus ouvidos, da minha atenção. Sei que ainda estou aprendendo. Mas já sei o que não é o certo.

O certo não é oferecer com o intuito de receber. O certo não é produzir um relacionamento baseado na dependência do outro. As pessoas podem ser opostas, porém são complementos: uma ajuda a outra a evoluir. Podemos muitas vezes precisar do outro num momento de dificuldade ou como uma ajuda no nosso longo caminho vida afora. Mas isso não significa que devamos depender do outro. Apagar-se em nome do outro. Agir como se o outro devesse assumir nosso emocional. Isso só destrói coisas belas...

Às vezes não sabemos o por quê. Mas nos apagamos, deixamos de brilhar e de ser inteiros... Aí nos apoiamos de forma doentia em quem nos ama, e o desgastamos. E nos desgastamos. Precisamos estar inteiros, com o brilho nos olhos para podermos dá-lo ao outro. Somente assim o amor flui. Acontece. Passa a ser natural, íntegro. Não uma exigência, uma obrigação imposta. Mas algo que surge no peito, na alma da gente, na maior paz possível.

É daí que vem a nossa paz. É dessa energia que flui, que surge e que nos arrebata. A plenitude que vem de um ato que nós mesmos provocamos.

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