"Porque eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas e enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir"

sábado, 22 de novembro de 2008

a gente faz o que pode

Finalmente resolvi escrever meu trabalho, desde ontem. Sei que não vai ficar tão cuidado como deveria, mas ao mesmo tempo já estou calejada pra pagar o preço.
Finalmente, escuto e compreendo as palavras do Paulo: "a gente não faz o que quer, mas sim o que pode." Tenho humildade, só hoje, pra entender isso. E agora me pergunto: por que não comecei antes? Por que essa covardia toda? Me pergunto e vejo que a resposta me foi dada na quinta-feira, depois daquela aventura quase impossível: que tensão existe e é normal, mas a perfeição que queremos buscar na vida é impossível. Não dá pra querer alcançar o mais-além que ainda não temos, nem nos esforçarmos quando não podemos. Atiro minha arrogância no lixo afinal.
Não começar por pura vaidade, orgulho. Não ter a humildade de abrir as primeiras páginas, de começar do começo. Calma. Apanho pra aprender. A não ser tão dura comigo. A valorizar o que tenho, em vez de tocar nas minhas feridas sempre que tenho chance. Reajo à própria dor que produzo em mim.

Aprender: que sou muito maior do que aquilo que me persegue.

Estranhamente tranquila, talvez porque consegui aprender o que a vida quer me ensinar...

No mais, não mais. Até.

doce ps: Vi Os irmãos Karamázov na livraria. Senti um orgulho de orientanda boba. Saudades do Paulo.

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